Aos Fatos

Vídeo que mostra homem sendo chicoteado é de 2017, e agressor não é vereador do PT

Por Luiz Fernando Menezes

20 de agosto de 2019, 16h13


Um vídeo que mostra um homem sendo agredido em uma fazenda tem circulado nas redes sociais em duas versões de publicações falsas. Em uma delas, afirma-se que a culpa da agressão seria do presidente Jair Bolsonaro por supostamente permitir a volta do trabalho escravo ao país (veja aqui). Outra versão diz que o homem que chicoteia o trabalhador seria um vereador do PT (veja aqui). No entanto, além de o agressor não ser vereador nem filiado ao partido, o vídeo foi gravado em setembro de 2017, portanto, antes do atual governo.

Juntas, as duas peças de desinformação já foram compartilhadas pelo menos 1.600 vezes até a tarde desta terça-feira (20). Todas as postagens com o conteúdo enganoso foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (veja como funciona).


FALSO

Com Bolsonaro presidente estamos retornando a escravidão, cenas muito forte neste vídeo. Compartilhem vamos ajudar colocar esse patrão meia tigela na cadeia... e indenizar o cidadão pai de família…

VEREADOR DO PT SURRA SERVENTE. As agressões começaram quando o Vereador ficou sabendo que o servente, tinha comido dois ovos ao invés de um. Depois dizem que somos nós da Direita os torturadores.

Duas peças de desinformação circulam nas redes ilustradas com um vídeo de um homem sendo chicoteado por seu patrão numa fazenda em em Minas Gerais. Uma das versões dá a entender que o vídeo é recente e que a agressão seria culpa do presidente Jair Bolsonaro por supostamente permitir o retorno da escravidão ao país. A outra diz que o agressor seria um vereador do PT. Nenhuma das informações, no entanto, é verdadeira, porque o vídeo foi gravado em 2017, e o agressor não é filiado ao PT.

O vídeo, na verdade, registra a agressão por parte de dois irmãos donos de uma fazenda em São Sebastião do Maranhão (MG) a um funcionário que teria roubado oito ovos de galinha da propriedade. Segundo a Polícia Civil, os irmãos e uma terceira pessoa, que teria filmado a tortura, foram presos em março de 2018.

Os nomes dos três — Raul Soares Gomes, Rodrigo Antônio Soares Mendes e Aleff Fillyp Miranda — constam em pedido de soltura feito pela defesa de um dos acusados, mas negado pela Justiça em setembro de 2018. Nenhum deles aparece na lista na lista de filiados do PT de MG ou de qualquer outro Estado. Aos Fatos também não encontrou nenhum registro de que algum dos três tenha sido vereador.

O e-Farsas checou o boato quando ele apareceu nas redes em março de 2018.

Referências:

1. Polícia Civil
2. STF
3. TSE
4. Brasil.Io