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Marcelo Camargo/ABr

Cesar Maia doou R$ 284 mil à campanha do filho em 2014

Por Tai Nalon

18 de julho de 2016, 19h04


Eleito em 2014 deputado federal pelo Rio de Janeiro, o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), teve 12,3% da sua campanha paga pelo seu pai, o ex-prefeito e vereador da capital fluminense, César Maia (DEM).

Segundo a prestação de contas enviada pelo deputado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a campanha de Rodrigo Maia custou R$ 2,3 milhões, dos quais R$ 284 mil foram financiados pelo seu pai. Trata-se do segundo maior valor doado individualmente para a campanha, que também contou com doações de seis dígitos de milionários como o empresário do setor de logística Richard Klien e o investidor Antônio José Almeida Carneiro, também conhecido como Bode. O banco BMG foi seu maior financiador.

Em 2010, quando concorreu ao Senado pelo Estado do Rio, Cesar Maia declarou ter um patrimônio de R$ 73 mil, de acordo com as bases do TSE. Constavam de sua lista de bens um fundo de investimento em renda fixa do Itaú, no valor de R$ 3 mil; outra aplicação em renda fixa no valor de R$ 38 mil; e cotas do capital de duas empresas nos valores de R$ 1,5 mil e R$ 29 mil.

Na campanha municipal de 2012, quando foi eleito vereador, alegou não ter patrimônio algum. Em reportagem do jornal O Globo naquele mesmo ano, afirmou não ter mais bens porque repassou para seus filhos. O mesmo ocorreu em 2014, quando o patriarca concorreu a uma cadeira ao Senado, sem sucesso. Além de Rodrigo, Cesar é pai de Daniela.

"Normalmente, os executivos que têm patrimônio, aos 65 anos, repassam os bens a seus filhos, esposa e netos. Como minha saúde não era perfeita, comecei a transferir os bens com 60 anos de idade e completei a transferência com 65 anos. É mais prático que testamento", disse àquela época ao jornal.

Entretanto, dentre os bens declarados por Rodrigo Maia também em 2012, quando concorreu à Prefeitura do Rio, não há registro dos investimentos em renda fixa declarados dois anos antes pelo seu pai. Há, entretanto, um apartamento em São Conrado que era do ex-prefeito no início da década anterior, quando concorreu e venceu as campanhas para o Executivo municipal. Em 2000, Cesar declarou patrimônio avaliado em R$ 1 milhão. Em 2004, quando reeleito, afirmou ter R$ 1,7 milhão.

Veja, em nosso levantamento, o que Cesar e Rodrigo Maia declararam como patrimônio desde 2010 e as doações eleitorais do novo presidente da Câmara.

Um vereador recebe mensalmente R$ 18.991,68 sem descontos, de acordo com o site da Câmara Municipal do Rio. Seus vencimentos líquidos correspondem a R$ 14.266,40.

Em um ano, sem benefícios e gratificações, esse valor corresponde a cerca de R$ 171 mil. No período entre a sua posse, em 2013, e o início da campanha de Rodrigo, em 2014, o patriarca da família Maia teria acumulado algo como R$ 240 mil, em valores ajustados pelos vencimentos atuais. Ainda que fosse integralmente gasto com a campanha do filho, não há como seu salário como vereador ter custeado os R$ 284 mil da eleição.

Questionada, a assessoria de imprensa de Cesar Maia respondeu quase 24 horas depois de publicada esta reportagem, apesar de a solicitação ter sido feita no início da tarde desta segunda-feira (18). Afirmou, entretanto, que o dinheiro em questão tem origem nas doações eleitorais de sua campanha ao Senado em 2014.

Aos Fatos checou a alegação. Verificou que, na ocasião, o vereador arrecadou R$ 4,5 milhões, inclusive de doadores que também constam da lista de seu filho. O repasse é legal, mas deve ser registrado como originário de outra campanha nas bases do TSE, o que não ocorre. Toda doação de comitê de campanha de 2014 deve ser registrada como "Eleições 2014 + Nome do Candidato". Não foi o caso.

Financiamento privado. Em 2015, Rodrigo Maia foi relator da minirreforma política na Câmara. Em seu texto, propôs a rejeição da proibição de doações de pessoas jurídicas a partidos políticos, hoje barrada pelo Supremo Tribunal Federal, e a supressão do limite de 10% dos rendimentos anuais para doação de pessoas físicas. A autodoação, contudo, ainda é permitida.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada no último sábado (16), disse, todavia, que "o financiamento empresarial não vai voltar tão cedo".


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A reportagem foi alterada às 18h02 do dia 19 de julho de 2016 para incluir a resposta da assessoria de imprensa de Cesar Maia. A apuração original se mantém.