Aos Fatos

Manuela D'Ávila não prometeu que 'a bandeira LGBT tremulará junto com a brasileira'

Por Judite Cypreste

9 de outubro de 2018, 11h30


Não é verdade que a candidata a vice de Fernando Haddad (PT), Manuela D’Ávila (PC do B), garantiu que a “bandeira LGBT tremulará junto com a brasileira, com a volta do PT”, como foi erroneamente publicado no blog César Weis e no site Que Notícias?. Além de não haver nenhum registrou que comprove que a candidata de fato proferiu tal a afirmação, tanto o texto quanto o vídeo das matérias não trazem nenhuma veracidade à afirmação atribuída a candidata. Contatada pelo Aos Fatos, a assessoria de Manuela também confirmou que a frase nunca foi dita pela candidata.

Usuários do Facebook denunciaram como notícia falsa a publicação que atribuiu a afirmação a candidata a vice-presidência pelo PC do B. Até a manhã desta terça-feira (9), o conteúdo falso tinha sido replicado ao menos por três páginas diferentes, totalizando 12,2 mil compartilhamentos. A peça de desinformação foi marcada como FALSA na ferramenta de verificação disponibilizada pela rede social (veja como funciona).

Confira abaixo o que checamos.


FALSO

Vice de Haddad garante: a bandeira LGBT tremulará junto com a brasileira, com a volta do PT

É FALSO que Manuela D’Ávila, candidata à Vice-Presidência na chapa de Fernando Haddad, garantiu que, ao ganhar as eleições, faria a bandeira LGBT tremular junto à Bandeira Nacional. A afirmação foi atribuída à candidata no título de textos que se pretendem jornalísticos e que, em seguida, utilizam-se de um texto e de um vídeo que não comprovam a veracidade da afirmação.

Como abordado pelo manual elaborado pelo Aos Fatos em parceria com a IFCN (International Fact-Checking Network), é importante a leitura além do título de um texto, pois, às vezes, ele não corresponde à narrativa que consta do restante do conteúdo. Foi exatamente o que ocorreu neste caso, pois a candidata não só não garantiu o que foi exposto no título como também o texto e vídeos que acompanham a manchete não provam a veracidade da afirmação.

Em uma pesquisa na internet, é possível averiguar ainda que não há vídeos, reportagens em veículos de comunicação ou quaisquer materiais que garantiriam a veracidade desta informação. Aos Fatos também entrou em contato com a assessoria da candidata à Vice-Presidência, que afirmou: “Manuela D'Ávila jamais disse isso”.

No vídeo acompanhado do texto, Manuela fala de seus projetos ao público LGBT enquanto parlamentar: desde sua atuação como vereadora da cidade de Porto Alegre até quando deputada estadual pelo estado do Rio Grande do Sul. Mas não afirma, em nenhum momento, que colocaria a bandeira do movimento LBGT ao lado da bandeira do Brasil.

Além disso, o vídeo usado na matéria foi publicado em seu canal no Youtube no dia 17 de maio deste ano, quando Manuela ainda figurava como escolha do partido PC do B como candidata à Presidência. Sua candidatura só foi oficializada em 1 de agosto, mas foi retirada quatro dias depois. Manuela foi então lançada como candidata à Vice-Presidência na chapa de Fernando Haddad apenas no dia 11 de setembro, depois que o vídeo já teria sido divulgado.

Informações falsas sobre Haddad. No decorrer do texto, é possível ainda ver outras informações falsas, atribuídas desta vez ao líder da chapa, o candidato à Presidência Fernando Haddad.

De acordo com o conteúdo, o petista seria pai do “kit gay”, e este material teria sido promovido e “considerado um verdadeiro proselitismo gay”. Entretanto, apesar de ter sido elaborado por ONGs durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Educação no primeiro governo Dilma Rousseff (2011-2014), o projeto Escola Sem Homofobia, pejorativamente chamado de “kit gay”, nunca chegou a ser distribuído nas escolas.

O material, que seria avaliado pelo Ministério da Educação, já estava pronto para impressão, mas foi teve a sua distribuição suspensa por pressão de parlamentares contrários à medida.

O kit era composto de um caderno para os gestores, seis boletins para os estudantes, três vídeos e um cartaz que abordavam aspectos de homossexualidade, transexualidade e bissexualidade e seria voltado para alunos do ensino médio. Aos Fatos já realizou outras checagens sobre o projeto Escola Sem Homofobia, e você pode conferir aqui e aqui.

Ainda de acordo com a matéria veiculada, Manuela teria uma forte participação em projetos de apoio ao movimento LGBT, o que é confirmado pela própria candidata em seu vídeo. Ela teria também uma forte aliança com o, agora reeleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jean Wyllys (PSOL), o que também foi confirmado por Manuela.

O texto lembra também de um episódio em que o deputado teria cuspido no candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL). Na ocasião, Jean cuspiu em Jair durante a votação da admissibilidade do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). De acordo com Wyllys, o ato foi em reação a “xingamentos e agressões”.

A reportagem entrou em contato com o blog César Weis e o site Que Notícias?, mas não havia obtido retorno até a publicação desta reportagem.