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É falso que porteiro do condomínio de Bolsonaro aparece em foto de ato da campanha de Dilma

Por Amanda Ribeiro

31 de outubro de 2019, 14h38


Não é o porteiro que citou Jair Bolsonaro (PSL) em depoimento sobre o assassinato de Marielle Franco (PSOL) quem aparece em foto de evento da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) em 2010. O homem apontado em publicações nas redes sociais (veja aqui) é, na verdade, Domingos Brazão, ex-deputado estadual pelo MDB, conselheiro afastado do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio) e suspeito de ser o mentor da morte da vereadora carioca, segundo a Procuradoria Geral da República.

Compartilhada por perfis pessoais no Facebook, a peça de desinformação soma cerca de 6.000 compartilhamentos até a tarde desta quinta-feira (31). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Publicação que circula nas redes sociais afirma que um dos homens que aparecem em fotografia fazendo campanha para a então candidata à Presidência Dilma Rousseff seria o porteiro do condomínio no Rio de Janeiro onde mora o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a pessoa indicada no post é o então deputado estadual e hoje conselheiro afastado do TCE Domingos Brazão, apontado pela Procuradoria-Geral da República como mentor do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

A foto foi publicada em 30 de outubro de 2010 na conta do Flickr de Brazão, que, filiado ao MDB, fazia campanha para Dilma em Jacarepaguá (RJ) ao lado do então deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ). Os outros dois homens da foto não foram identificados por Aos Fatos.

De acordo com denúncia enviada em setembro pela então procuradora-geral da República Raquel Dodge ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), Domingos Brazão “arquitetou o homicídio da vereadora Marielle Franco e visando manter-se impune, esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio". Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, Brazão ainda não é formalmente suspeito, mas está no centro das investigações do atentado.

Além dessa imagem, outro registro do mesmo ato de campanha em 2010 tem circulado nas redes como se retratasse o porteiro do condomínio em que reside Bolsonaro. A foto, que também pode ser encontrada no Flickr, mostra Brazão com o adesivo da então candidata Dilma Rousseff.

O caso. Segundo reportagem do Jornal Nacional veiculada na última terça-feira (29), investigação da polícia do Rio mostra que um dos suspeitos de assassinar Marielle, Elcio Queiroz, se encontrou com outro acusado da morte da vereadora, Ronnie Lessa, no condomínio em que mora Jair Bolsonaro horas antes do crime. Ao chegar, ele teria dito que ia para a casa do presidente e teve a entrada autorizada por interfone por alguém na residência, de acordo com o depoimento do porteiro.

Na quarta-feira (30), a procuradora Simone Sibilio, chefe do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio disse que a perícia não confirma o disse o porteiro em seu testemunho.

"Agora, a informação dada pelo porteiro não bate com a prova pericial. Na verdade, o que estamos dizendo é que não há compatibilidade entre os depoimentos do porteiro e a prova pericial", afirmou a procuradora.

Segundo a versão do Ministério Público, quem autorizou a entrada de Elcio Queiroz no condomínio foi Ronnie Lessa, suspeito de ter feito os disparos contra Marielle e seu motorista, Anderson Gomes. Lessa é vizinho de Jair e Carlos Bolsonaro no Vivendas da Barra.

Referências:

1. UOL
2. Globo
3. Folha de S.Paulo


Esta matéria foi atualizada às 16h52 do dia 31 de outubro de 2019 para incluir a informação de que outra foto do ex-deputado estadual Domingos Brazão vem circulando nas redes como se retratasse o porteiro do condomínio em que reside Bolsonaro.