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É falso que Israel conseguiu combater o coronavírus isolando apenas idosos

Por Luiz Fernando Menezes

26 de março de 2020, 17h05


Não é verdade que Israel tem conseguido controlar o surto do novo coronavírus isolando apenas idosos e pessoas em grupo de risco, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui) – já foram aprovados dois regulamentos de emergência que restringem a circulação de pessoas de todas as idades. Também é falso que a economia e o sistema de saúde do país não estão sendo prejudicados pela pandemia. O governo estimou que, por causa da doença, o PIB do país não crescerá neste ano e alertou para a falta de respiradores em hospitais.

A mensagem ainda traz dados desatualizados sobre o número de infectados e mortos pela Covid-19. Até quarta-feira (25), Israel registrava 2.666 casos e oito mortes em decorrência da doença.

O texto com essas desinformações tem circulado no Facebook desde que o presidente Jair Bolsonaro defendeu o fim do isolamento social no Brasil, na última terça-feira (23). Até a publicação desta checagem, postagens com o conteúdo enganoso acumulavam mais de 1.500 compartilhamentos no Facebook e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Israel tem a melhor situação do mundo… 1700 casos e 1 morte!!! Sem isolamento para os jovens. Não lotou hospitais, UTIs etc… Isolou idosos e o grupo de risco, enfrentou o vírus… Sem prejudicar a economia do país. Agora já no Brasil, país do Tupiniquim e o povo sendo comovido e manipulado pela Globo… Os estragos serão catastróficos.

É falso que Israel está conseguindo enfrentar o novo coronavírus apenas com o isolamento de idosos e pessoas em grupo de risco, como circula em publicações nas redes sociais. Em 19 de março, o governo restringiu movimento de cidadãos de todas as idades por uma semana e, desde então, prorrogou as restrições até abril. Ao contrário do que dizem as peças de desinformação, houve efeitos adversos na economia – que pode não crescer neste ano – e no sistema de saúde do país – que, segundo um ministro israelense, pode não ter respiradores suficientes para lidar com a pandemia.

As primeiras regras de distanciamento social foram determinadas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no dia 19 de março e passaram a ter efeito a partir do dia 21. O Regulamento de Emergência israelense — que enumera as proibições e permissões em relação ao isolamento social — para combater o coronavírus pode ser acessado aqui (em hebraico).

O governo israelense sinalizou ainda que o período de isolamento deverá se estender além do prazo inicialmente pensado. Na última quarta-feira (25), em pronunciamento televisivo, Netanyahu disse que “Se não virmos uma melhoria imediata na linha de tendência [do coronavírus], não haverá como evitar um fechamento completo”.

No mesmo dia, o governo israelense aprovou regulações adicionais de emergência que devem perdurar até abril. O novo texto restringe ainda mais a circulação de pessoas e determina que a violação das medidas constituem crime com pena de multa.

Outra informação incorreta apresentada pela mensagem é a de que a pandemia não estaria prejudicando a economia israelense. Segundo estimativa apresentada no dia 17 de março pelo ministro das Finanças do país, Shira Greenberg, o país deverá ter uma queda de R$ 6,6 bilhões no PIB e não apresentar crescimento este ano, graças às medidas adotadas pelo governo para combater a pandemia. De acordo com o The Jerusalem Post, do dia 11 de março a 24 de março, a taxa de desemprego saltou de 4% para 20,12%.

Em buscas na imprensa israelense e nos sites das autoridades de saúde, Aos Fatos não encontrou relatos de que o sistema de saúde do país está lotado no momento. Assim como no Brasil, o primeiro caso da infecção confirmado no país ocorreu há um mês atrás. Existe, no entanto, um relatório da Controladoria do Estado de Israel produzido quando o vírus estava apenas na China que diz que o sistema de saúde do país não está preparado para uma pandemia de Covid-19. O texto enumera como problemas a falta de leitos, quartos de isolamento, equipamentos e até a falta de cooperação entre os ministérios da Saúde e da Defesa.

Também foi publicado na imprensa israelense um documento do Ministério da Saúde que alerta para a falta de respiradores para serem utilizados em situações emergenciais. A Associação Médica Israelense também já produziu uma lista de princípios para tratar os casos sérios da infecção caso o sistema de saúde entre em colapso. E o país abriu um hospital designado ao tratamento da Covid-19, onde 37 pacientes estavam internados até esta quinta-feira.

Por fim, os dados apresentados pela peça de desinformação também estão desatualizados. Até a última divulgação do governo israelense (25 de março), foram registrados 2.666 casos e 8 mortes pela Covid-19.

Referências:

1. i24News (Fontes 1 e 2)
2. Ministério das Relações Exteriores de Israel
3. Times of Israel (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
4. Governo de Israel
5. Reuters
6. Ministério da Saúde de Israel
7. The Jerusalem Post
8. Haaretz


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