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Fotos que mostram lixo no Rock in Rio são de 2011 e 2013, não da edição atual

Por Luiz Fernando Menezes

30 de setembro de 2019, 15h46


São antigas as cinco fotos que circulam em postagens nas redes sociais (veja aqui) e que mostram grandes quantidades de lixo no chão após shows do Rock in Rio. Três imagens da edição de 2013 e duas da de 2011 têm sido compartilhadas como se fossem atuais em publicações que apontam uma suposta contradição do público do festival em favor da preservação da Amazônia.

A edição de 2019 do Rock in Rio, no entanto, ainda nem terminou e também já produziu um alto volume de lixo: foram 162 toneladas apenas nos três primeiros dias do festival (de 27 a 29 de setembro). Restam quatro dias de show.

Ao todo, as cinco imagens já foram compartilhadas mais de 300 mil vezes no Facebook até a tarde desta segunda-feira (30). Todas as publicações foram marcadas por Aos Fatos com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona). Esta classificação é empregada quando um conteúdo verdadeiro é retirado do contexto original ou apresentado junto a informações falsas.


DISTORCIDO

Rock in Rio: O povo que gritava “Salvem a Amazônia!" deixou mais de 30 toneladas de lixo. Querem salvar a Amazônia, mas não juntam o próprio lixo.

Cinco imagens de gramados cheios de lixo vem sendo compartilhadas nas redes como se mostrassem a última edição do Rock in Rio, festival que começou na sexta-feira (27) no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Apesar de o evento já ter produzido 162 toneladas de lixo apenas em seus três primeiros dias, as fotos que circulam com críticas aos frequentadores são das edições de 2011 e 2013 do festival.

Uma das imagens de 2013 é de autoria de Flavio Moraes, do G1. Naquele ano, foram recolhidas cerca de 184 toneladas de lixo durante os sete dias de evento.

Outras duas fotos compartilhadas no fim de semana são de 2013. Uma delas, registrada por Ivan Pacheco, da Veja, ilustrou uma reportagem que abordava justamente a baixa adesão do público à campanha do Rock in Rio daquele ano, chamada “Lixo no lixo, Rio no coração”.

Já a outra, de Ernesto Carriço, da Agência O Dia, acompanhava a notícia de que a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) havia recolhido 30 toneladas de lixo nos arredores da Cidade do Rock em três dias de festival.

Também vêm sendo descontextualizadas duas imagens registradas na edição de 2011, quando 311 toneladas de lixo foram recolhidas durante os sete dias de festival. Uma das fotos foi publicada naquele ano pelo UOL, mas não há indicação de autoria.

Outra imagem, registrada por Carolina Lauriano, foi publicada pelo G1 e mostra garis coletando o lixo produzido após a primeira sexta-feira do festival daquele ano, quando foram recolhidas 49 toneladas de detritos.

Edição atual. Segundo a Comlurb, em nota enviada ao Aos Fatos, foram recolhidas 162 toneladas de lixo durante os três primeiros dias do Rock in Rio deste ano. Deste total, cerca de 96,3 toneladas são potencialmente recicláveis e serão destinadas a catadores cooperativos credenciados. Já o material orgânico será transformado em biogás.

Neste ano, a companhia disponibilizou 1.143 garis e 158 agentes de limpeza urbana para os serviços de varrição e limpeza na área de circulação do público e mais 169 garis na área externa. Foram colocados 2.000 lixeiras, sendo metade para resíduos orgânicos e a outra metade com identificação na cor verde para os resíduos potencialmente recicláveis.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2 e 3)
2. Veja
3. R7
4. UOL