Aos Fatos

É falso que Moro transferiu 60 criminosos do Ceará para presídios federais; foto usada em post é de 2017

Por Luiz Fernando Menezes

9 de janeiro de 2019, 12h56


Usando foto antiga e informações falsas, uma publicação no Facebook engana ao dizer que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, transferiu 60 chefes do crime organizado do Ceará para prisões federais. A imagem, na verdade, foi tirada durante uma transferência de presos no Acre em janeiro de 2017 e, ainda que Moro tenha ofertado 60 vagas em presídios federais, somente um líder de facção criminosa foi transferido até a publicação desta checagem e outros 19 aguardavam a remoção, de acordo com o governo cearense.

Publicada na noite da última segunda-feira (7), a peça de desinformação reunia mais de 15 mil compartilhamentos naquela rede social quando foi denunciada por Aos Fatos.

Na quinta-feira (10), Alex Pereira, administrador da página Alexander Brasil, que publicou primeiro o post com os dados incorretos, entrou em contato com Aos Fatos e, após orientação, fez alterações no texto para excluir as informações falsas e alertar o leitor que a foto apensada não era atual. Assim, a marcação de FALSO sobre esta publicação foi removida por Aos Fatos da ferramenta do Facebook.

Outros posts que replicam o conteúdo original, no entanto, permanecem marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (entenda como funciona) por manterem a desinformação.


FALSO

DÁ-LHE SERGIO MORO! 60 chefes do crime organizado do Ceará, levados para a Prisão Federal. Aos poucos o Super Ministro da Justiça mostra sua força. Notem que todos estão saudáveis, prontos para fazerem estradas e ferrovias

O post que traz a foto de uma fila de detentos prontos para embarcar em um avião da Polícia Federal está circulando no Facebook desde a noite de ontem (7). A publicação é acompanhada ainda de um texto que diz que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, teria transferido 60 chefes de facções presos no Ceará para penitenciárias federais. Nada disso é real.

A foto utilizada para ilustrar o comentário é de janeiro de 2017, quando a Segurança Pública do Acre transferiu 15 detentos do presídio Antônio Amaro, em Rio Branco, para o presídio federal de Mossoró (RN). Ou seja, nada tem a ver com a crise de segurança pública enfrentada hoje pelo Ceará.

O governo federal, de fato, disponibilizou 60 vagas nos presídios que administram para os detentos cearenses, mas isso não significa que as transferências para todas essas vagas de fato ocorreram. Na verdade, até o momento, somente um criminoso teve esse destino e 19 outros detentos já estão em processo de transferência, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado. Eles seriam membros de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Guardiões do Estado, segundo a EBC.

Procurado por Aos Fatos, o Ministério da Justiça e da Segurança informou que não divulga dados sobre transferência de presos.

Ataques. Uma série de ataques criminosos eclodiram no Ceará desde a última quarta-feira (2), quando o secretário da Administração Penitenciária do Ceará, Luís Mauro Albuquerque, disse que seriam realizadas fiscalizações mais rigorosas nos presídios e que não haveria mais divisões de presos nas unidades por facções criminosas. Desde então, já foram contabilizados 159 ataques e 168 detenções.

O ministro Sergio Moro, atendendo a pedido do governador do Ceará, Camilo Santana (PT), autorizou, na última sexta-feira (4), o envio de tropas da Força Nacional ao Estado. Segundo o ministério, cerca de 300 homens e 30 viaturas autarão por 30 dias em apoio às forças de segurança cearenses.

Outro lado. O administrador da página Alexander Brasil, que primeiro propagou o boato, entrou em contato com Aos Fatos para corrigir as informações da publicação. Na tarde desta quinta-feira (10), foram retiradas as informações de que 60 chefes de facções foram transferidos a mando de Moro e a foto foi indicada como "meramente ilustrativa". A postagem corrigida pode ser conferida aqui.


Esta checagem foi atualizada às 14h50 do dia 10 de janeiro de 2019 para acrescentar que o administrador da página que primeiro divulgou a desinformação corrigiu o texto após a publicação da verificação.