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Luiz Fernando Menezes/Aos Fatos

Desenhamos fatos sobre a pandemia do coronavírus

Por Luiz Fernando Menezes

20 de março de 2020, 13h45


A evolução de casos confirmados e de mortes pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil nesta semana foi acompanhada pelo avanço na desinformação propagada nas redes sociais sobre a infecção. Checadas por Aos Fatos, informações falsas surgidas nos últimos dias destacaram métodos de prevenção ineficazes e que não são recomendados, vacinas inexistentes e até perigosas receitas caseiras de álcool em gel.

Para ajudar a conter a disseminação desses e de outros conteúdos enganosos, reunimos nesta HQ informações essenciais sobre o novo coronavírus que estão respaldadas por autoridades de saúde nacionais e internacionais, cientistas e pelos fatos, claro.


Mãos limpas. Autoridades de saúde são unânimes ao recomendar lavar as mãos frequentemente com água e sabão para prevenir contra o novo coronavírus. Porém, o procedimento não deve contemplar só as palmas, mas os dorsos, os punhos, as unhas e as regiões entre os dedos, como mostra em um passo-a-passo ilustrado da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Após a lavagem, evite tocar diretamente na torneira e na maçaneta da porta do banheiro. Use uma toalha de papel nestes contatos e a descarte em seguida.

Quando não for possível lavar as mãos, a recomendação dos especialistas é usar o álcool em gel de 70% de concentração, como os vendidos em farmácias e supermercados. Concentrações superiores a isso não são indicadas, pois podem ressecar a pele e causar lesões.

Apesar da escassez de álcool em gel relatada em algumas regiões do país, recorrer a receitas caseiras do produto também não é uma boa ideia. A manipulação de álcool é perigosa e contraindicada por ser extremamente inflamável e pode causar queimaduras na pele, de acordo com químicos ouvidos pelo Aos Fatos. O Conselho Federal de Química alerta ainda que o produto caseiro não passa por testes e, assim, não tem eficácia comprovada.

Mesmo lavando as mãos e usando o álcool em gel, as autoridades de saúde alertam ainda para a importância de evitar alguns comportamentos comuns, como tocar o rosto com as mãos ou compartilhar talheres, copos e outros utensílios domésticos.

Em casa, bancos, mesas, bancadas e outras superfícies devem ser higienizadas com frequência usando alvejantes, álcool líquido e outros produtos com ação desinfetante, segundo recomendam OMS (Organização Mundial de Saúde), Ministério da Saúde e CDC (Centro de Controle de Doenças do governo dos EUA).

Sem multidão. Para além da correta higienização, especialistas têm concordado que o isolamento social pode desacelerar ou barrar a propagação do vírus. As principais recomendações nesse sentido são evitar aglomerações — incluindo aí bares, praias e piscinas — e manter uma distância de pelo menos um metro de pessoas que apresentem sintomas. Por dificultar o contato, as medidas reduzem as chances de transmissão comunitária (quando há o contágio de pessoas que não viajaram ao exterior nem tiveram contato com casos confirmados).

Isolamento. Evitar sair de casa, mesmo que você não apresente qualquer sintoma da Covid-19, também pode impedir a propagação generalizada da doença, segundo especialistas. Isso porque já existem relatos de casos em que a transmissão do vírus ocorreu por meio de portadores assintomáticos. Ficando em casa, portanto, você pode se prevenir da infecção ou mesmo evitar ser um disseminador dela, caso não saiba que está doente nem apresente sintomas.

Além disso, OMS, Ministério da Saúde e CDC recomendam o uso de máscaras cirúrgicas apenas para quem apresenta sintomas de Covid-19 ou está em contato com outros infectados.

Idosos. As recomendações dos órgãos de saúde devem ser seguidas à risca por todos, mas com atenção especial às pessoas com mais de 60 anos ou que convivam com idosos. Ainda que a maioria dos estudos científicos sobre a mortalidade da Covid-19 seja preliminar, um dado que já parece claro é que a infecção é mais letal entre os mais velhos e os portadores de doenças crônicas.

Segundo pesquisa da Universidade de Bern, na Suíça, com base em dados da China, a taxa de mortalidade geral da Covid-19 gira em torno de 1%. Porém, ela pode chegar a 4,6% em infectados com mais de 60 anos e em até 18% entre os maiores de 80 anos.

Tratamento e cura. Até o momento, não há vacina ou tratamento específico para a Covid-19, apenas para seus sintomas. Diversos medicamentos estão em fase de testes e, segundo a OMS, pesquisadores estão na corrida para encontrar uma vacina.

Em 28 de fevereiro, segundo o diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom Ghebreyesus, 20 vacinas já estavam em desenvolvimento, bem como “uma série de medicamentos” para conter o vírus. Por isso, até o momento, como ele mesmo alertou, as medidas de prevenção são a maneira mais eficaz para conter a disseminação da doença.

Aos Fatos tem publicado checagens e reportagens sobre o novo coronavírus desde janeiro deste ano, quando houve surto de infecções na China. Todo o material está reunido no link aosfatos.org/coronavirus.

Referências:

1. Aos Fatos (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
2. Anvisa
3. OMS (Fontes 1 e 2)
4. Ministério da Saúde
5. CDC (Fontes 1 e 2)
6. Secretaria de Saúde de São Paulo
7. MedRxiv


De acordo com nossos esforços para alcançar mais pessoas com informação verificada, Aos Fatos libera esta reportagem para livre republicação com atribuição de crédito e link para este site.