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Luiz Fernando Menezes/Aos Fatos

Desenhamos fatos sobre o surto de sarampo no Brasil

Por Luiz Fernando Menezes

26 de julho de 2019, 13h54


Após anos erradicado no país, o sarampo está de volta. Em 2019, já foram confirmados ao menos 561 casos da doença, de acordo com o último informe do Ministério da Saúde. Os estados de São Paulo, Pará e Rio de Janeiro têm surto ativo atualmente. No ano passado, a região Norte, Amazonas e Roraima em especial, registrou mais de 10 mil casos de sarampo, disseminado em meio ao fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil.

Para tentar evitar uma epidemia, vários estados deram início a campanhas de vacinaçãos contra o vírus, que é altamente contagioso. A recomendação é a de que todas as pessoas entre 15 a 29 anos sejam vacinadas, além daquelas que ainda não tomaram a segunda dose da tríplice viral, que previne a doença.

Mas por que o sarampo, que estava praticamente erradicado no Brasil, voltou? Aos Fatos responde essa e outras questões em quadrinhos:


Casos. Do começo do ano até o dia 18 de julho, o Brasil registrou 561 casos confirmados de sarampo em sete estados. A grande maioria deles — 484 — no Estado de São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, o coeficiente de incidência da doença atualmente é de 0,3 por 100 mil habitantes.

Os números são expressivos em razão do histórico da doença no país. O Brasil chegou a obter certificação de país livre da doença, concedido pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), em 2016, após não registrar sequer um caso em todo o território nacional.

A certificação, no entanto, foi retirada em fevereiro deste ano, após serem registrados 10.262 casos no Brasil em 2018.

Causas. Mas por que a doença voltou se, por dois anos seguidos, o Brasil não registrou casos? A resposta são os vírus "importados": brasileiros que viajaram para países onde o sarampo circula amplamente ou quando um estrangeiro contaminado visita o Brasil.

Em 2018, o surto de sarampo que atingiu principalmente a região Norte, por exemplo, veio da Venezuela: segundo o Ministério da Saúde, o genótipo do vírus era o mesmo que estava em circulação no país vizinho, que apresentava um surto de sarampo desde 2017.

No surto atual, a suspeita é que o vírus seja de países da Europa e da Ásia: segundo a Prefeitura de São Paulo, "os primeiros casos na cidade de São Paulo surgiram a partir de fevereiro, importados da Noruega, Malta e Israel". Segundo reportagem do UOL, naquele mês, 21 pessoas contraíram o vírus dentro de um cruzeiro que atracou no porto de Santos, outro município com surto ativo da doença.

Cobertura vacinal. Um fator agravante é que o país possui cobertura vacinal da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, menor do que a recomendação internacional, de 95%. Segundo o DataSUS, em 2018, cerca de 91% da população tinha recebido a primeira dose e 75% a segunda.

O sarampo passou a ser uma doença de notificação compulsória nacional em 1968, anos depois, em 1972, foi criado o programa de vacinação anti-sarampo. Em 1973, a vacina contra o sarampo foi efetivamente implantada com o Plano Nacional de Imunizações (PNI), que criou o primeiro calendário de vacinação para crianças e gestantes. Mas foi só em 1992, com o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo, que o combate ao sarampo foi definido como prioridade de política de saúde.

Já a segunda dose da tríplice viral foi instituída a partir de junho de 2004. Há também a vacina tetraviral, que combate também a varicela, que foi introduzida no Calendário Básico de Vacinação da Criança em 2013.

Essa janela temporal explica porque as campanhas de vacinação atuais estão focando nos jovens entre 15 e 29 anos: eles nasceram quando a segunda dose da tríplice viral ainda não estava instituída. Segundo estimativa da coordenadora da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde), Solange Saboia, em entrevista à Folha de S.Paulo, 75% dos jovens que nasceram entre 1990 e 2004 não estão vacinados.

Campanha. A orientação é que todas as pessoas entre 15 e 29 anos tomem a vacina, mesmo aquelas que já receberam as duas doses da tríplice viral. Além disso, a campanha também pede para que os pais de crianças entre 6 meses e um ano de idades as levem para a vacinação.

Segundo nota enviada ao Aos Fatos, o Ministério da Saúde já enviou aos estados cerca de 12 milhões de doses da vacina tríplice viral.

A doença. O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por meio de tosse, espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções infectadas. Seu sintoma mais característico são as manchas vermelhas que se espalham pelo corpo, mas a doença também causa febre alta, dor de cabeça, tosse e coriza. Suas complicações, inclusive, podem causar mortes: segundo a Opas, 110 mil pessoas morreram por sarampo em 2017.

Não existe tratamento antiviral específico para a doença, apenas para seus sintomas. As principais complicações são evitadas com nutrição, ingestão de líquidos, antibióticos para as infecções nos olhos e ouvidos. No caso de crianças, também são prescritos suplementos de vitamina A para prevenir danos oculares e cegueira.

O epidemia de sarampo é mundial. A OMS (Organização Mundial de Saúde) identificou surto de sarampo em 170 países desde 2017. Só na Europa, em 2018, foram confirmados 82.596 casos, sendo 72 deles com fatalidades.

Colaborou Ana Rita Cunha.

Referências:

1. Ministério da Saúde (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. Nexo
3. EBC
4. Prefeitura de São Paulo (Fontes 1 e 2)
5. UOL
6. DataSUS
7. Folha de S.Paulo
8. Opas
9. OMS
10. Fiocruz


Esta reportagem foi atualizada às 12h55 do dia 31 de julho de 2019 para acrescentar informações sobre a implantação da vacina no Brasil.