Aos Fatos

Cinco dos 20 ministros anunciados por Bolsonaro são réus ou investigados, não 'mais da metade'

Por Alexandre Aragão

5 de dezembro de 2018, 16h07


Um meme publicado no Facebook no domingo (2) afirma que mais da metade dos 20 ministros anunciados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) têm “problemas com a justiça”, mas isso não é verdade. Aos Fatos verificou que, dos nomeados até agora, cinco são réus em ações na Justiça ou alvo de investigação (veja a lista completa abaixo).

A imagem busca apontar contradições entre promessas de campanha de Bolsonaro e ações do seu gabinete de transição. Além da informação enganosa, a peça traz ainda dados verdadeiros, como “20 ministérios já foram anunciados”, e opiniões, como “EUA acima de tudo”, que não são checáveis.

Desta forma, a publicação foi marcada na ferramenta de verificação da rede social com o selo DISTORCIDO (entenda como funciona), que é aplicado a conteúdos que misturam informações falsas ou fora de contexto a outras factualmente corretas. Até a tarde desta quarta-feira (5), o post denunciado por usuários do Facebook já tinha angariado 1.100 compartilhamentos.

Confira abaixo o que checamos.


DISTORCIDO

Governo ficha-suja: mais da metade dos ministros [de Bolsonaro] tem problema com a Justiça.

Na verdade, três futuros ministros — Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia) e Luiz Mandetta (Saúde) — são investigados pelo Ministério Público e dois, Tereza Cristina (Agricultura) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) respondem a ações na Justiça. Outros dois nomeados, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), foram alvo de inquéritos no passado, mas atualmente não são investigados.

Futuros ministros que respondem a ação ou são investigados

1. Onyx Lorenzoni (Casa Civil) — Em junho, ele admitiu ter recebido caixa 2 da JBS na campanha de 2014. Nesta terça (8), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin autorizou que a Procuradoria-Geral da República investigue o possível crime. Onyx também foi acusado de ter recebido caixa 2 por um delator da Odebrecht, mas nesse caso ele negou, e o inquérito foi arquivado pelo ministro Luiz Fux por falta de provas.

2. Paulo Guedes (Economia) — A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu inquérito para investigar se Guedes cometeu crimes durante a gestão de fundos de investimento. Ele tinha um depoimento marcado para esta quarta (5), que foi adiado a pedido dos advogados.

3. Tereza Cristina (Agricultura) — A futura ministra responde a cinco ações por dívidas com bancos e fundos agropecuários, segundo reportagem da revista Piauí, que somam R$ 9,8 milhões.

4. Luiz Mandetta (Saúde) — Ele é investigado sob suspeita de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois no período em que foi secretário de Saúde de Campo Grande (MS). O futuro ministro nega irregularidades.

5. Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) — O futuro ministro responde a uma ação criminal, junto com o irmão Marco Túlio e um sócio, por causa da venda de um terreno que depois foi reivindicado pela extinta Rede Ferroviária Federal. “Nós fizemos um acordo na ação cível e eles devolveram o dinheiro com correção”, disse a Aos Fatos o advogado Hélcio Xavier, que representou os três. Segundo o advogado, “uma das cláusulas é que deveria ser juntada uma cópia do acordo à ação criminal” a fim de encerrá-la.

Futuros ministros que já foram alvo de investigação

6. Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) — Foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que não é um órgão do Judiciário, por ter assinado dois convênios no valor de R$ 22 milhões considerados ilegais, segundo reportagem do site The Intercept. Atualmente não responde a ação e não é investigado.

7. Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) — Foi investigado pelo Ministério Público Militar por suspeita de ser dono de uma loja online que vendia produtos ligados à carreira dele, quando ainda estava na ativa, o que o Código Militar proíbe. A investigação prescreveu e atualmente Pontes, que passou para a reserva em 2006, aos 43 anos, não é alvo de investigações ou ações judiciais.