Aos Fatos

Brasil só perde para a China em geração de empregos no mundo?

Por Sérgio Spagnuolo

23 de fevereiro de 2016, 02h57


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou cerca de um minuto do programa partidário do PT para defender o legado de seu governo e rebater suspeitas de que foi beneficiado por empreiteiras nas reformas de um tríplex e de um sítio em São Paulo. Veiculado nesta terça-feira (23) em cadeia de rádio e TV, mas distribuído nas redes do partido já na segunda-feira, a peça publicitária enumera realizações das gestões petistas no Palácio do Planalto, dentre as quais a que o Brasil foi o país que "mais gerou emprego no mundo". "Só perdemos da China", disse Lula.

Aos Fatos checou a afirmação e verificou que, ainda que os números de geração de emprego do país sejam expressivos de 2003 a 2014, países como Chile, Israel, Armênia e Peru geraram proporcionalmente mais vagas. Veja, abaixo, com detalhes.


EXAGERADO
Nos governos do PT, fomos o país que mais gerou emprego no mundo. Só perdemos da China.

Como é comum quando o assunto é dados, fica difícil traçar comparativos sem ter uma referência de como essas informações foram parar na boca dos políticos. A propaganda do PT não explicou como chegou a essa informação nem esclareceu qual a fonte dos dados citados.

Porém, se levarmos em conta as metodologias usadas pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pelo Banco Mundial, o Brasil não está entre os países cujo mercado de trabalho mais cresceu nos últimos 12 anos.

Uma métrica usada por essas organizações é a proporção de trabalhadores acima de 15 anos que está empregada em cada país. Em 2014, no Brasil, esse percentual era de 65%, segundo o Banco Mundial. Em 2003, primeiro ano do governo do PT, esse montante era de 62%. Se o perfil demográfico brasileiro sofre desaceleração há mais de uma década, não há razão para crer que o país tenha passado nações como Chile, Israel, Armênia e Peru, que tiveram um aumento acima de 8 pontos percentuais no período, por exemplo.

Segundo relatório do Caged (Ministério do Trabalho), de dezembro, em 2015 foram perdidas 1,5 milhão de vagas formais de trabalho no Brasil.

No entanto, os governos do PT têm um saldo positivo de mais de 16 milhões de novos empregos formais. Assim, a taxa de desemprego no Brasil caiu substancialmente frente aos níveis de 2003, de 9,7% para 6,8% em 2014, segundo o Banco Mundial.

A China, por sua vez, teve um aumento de 30 milhões de novos postos de trabalho, de 2004 a 2014, segundo a Statista. Já os EUA acrescentaram cerca de 13 milhões de empregos de 2003 a 2015 (excluindo empregos rurais), de acordo com o Departamento de Trabalho.