Aos Fatos

14 dicas para montar um projeto de checagem quando é mais necessário

Por Daniel Funke

9 de abril de 2018, 20h00


Este manual foi produzido pela International Fact-Checking Network por ocasião do Dia Internacional do Fact-Checking, em 2 de abril.

Quando notícias impactantes vêm à tona, elas costumam ser seguidas por uma série de notícias falsas.

Veja o caso do recente tiroteio em uma escola do sul da Flórida. Depois de publicada a notícia de que 17 pessoas haviam morrido e que muitas outras tinham ficado feridas, notícias falsas relacionadas a esse caso inundaram as redes sociais.

No México, a desinformação se espalhou rapidamente depois que um forte terremoto abalou a capital, matando centenas de pessoas. O mesmo aconteceu no ano passado, quando outro ataque terrorista atingiu Londres. Houve uma série de notícias falsas.

Dada a natureza das mídias sociais, onde as pessoas cobram emoção, e o fato de o compartilhamento ser uma medida de viralização, esse tipo de boataria torna-se muito comum em tempos de crise. E é justamente em situações de grande desinformação (de notícias falsas que podem inclusive custar a vida das pessoas) que os projetos de verificação e checagem de fatos se revelam essenciais.

Aqui está uma lista de dicas básicas para quem quer montar e manter um projeto desse tipo. Esteja pronto para desmascarar rumores durante uma crise:

1

Questione-se sempre. Você está tentando descobrir quando ou onde algo aconteceu? Você está tentando descobrir se você pode publicar um trecho específico de mídia? “Vejo que muitos dos erros de informação acontecem quando as pessoas não conseguem fazer essas perguntas”, disse ao Poynter Institute Sam Dubberley, gerente do Digital Verification Corps da Anistia Internacional.

2

Verifique vídeos e outras mídias examinando dados do Exif e de geolocalização. Ferramentas como o Google Earth Pro, ExifTool e InVid são muito úteis. Aqui estão algumas dicas sobre quando usar outras ferramentas

3

Quando um grande incidente acontece, divida as pessoas que trabalham no seu time e distribua funções. Priorize o monitoramento de mídias sociais, de modo a ficar à frente do boato.

4

Determine a plataforma que cada pessoa acompanhará e peça que ela informe o grupo sobre informações que eventualmente ganhem força nela (Nota: A escolha das plataformas que serão monitoradas depende de onde o evento ocorreu. A popularidade das plataformas varia de país para país). De Eoghan Sweeney, diretor de treinamento global da First Draft: “Você precisa estar ciente das regiões e localidades onde elas (as notícias falsas) acontecem. O que as pessoas tendem a usar ali? (…) Você precisa ter algum conhecimento de quais plataformas provavelmente serão as mais promissoras”.

5

Observe cada post com ceticismo. Analise as idades, as biografias, os links, os perfis seguidos e as postagens anteriores feitas por um determinado perfil para determinar se eles podem ou não ser autênticos. Aqui está uma boa ferramenta para isso.

6

Enquanto uma equipe monitora as plataformas de mídia social, tente ter uma outra equipe no local para verificar as informações. Se você não tiver funcionários suficientes, considere a possibilidade de solicitar voluntários no local onde as notícias estão sendo divulgadas.

7

Se você não consegue ter alguém no local, faça uma curadoria de perfis em redes sociais e monte uma lista com as fontes oficiais que atuam numa determinada área. Dessa forma, você pode se manter atualizado sobre os anúncios feitos por elas.

8

Lembre-se de ser razoável quando pedir informações para as pessoas que estão no local do incidente. Na cobertura de um tiroteio em Dallas, em 2016, uma testemunha recebeu mais de 200 pedidos de jornalistas. Veja aqui um guia sobre como trabalhar melhor com as fontes de redes sociais.

9

Ao compartilhar informações em tempo real, priorize o Twitter ao Facebook. Enquanto o algoritmo deste último mostra informações já antigas na timeline durante vários dias, o primeiro é mais claro sobre a data e a hora em que algo foi postado.

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Considere a possibilidade de disponibilizar um número de telefone para as pessoas afetadas pelo incidente fazerem perguntas e solicitarem checagens. Isso também pode lhe dar pistas sobre possíveis fraudes.

11

Crie e distribua panfletos com dicas rápidas para as pessoas que usam redes sociais obterem informações sobre o que aconteceu. Ensinar os consumidores de notícias a serem cautelosos sobre o compartilhamento de informações não verificadas pode impedir que farsas se espalhem. De Gisela Pérez de Acha, jornalista do Horizontal, na Cidade do México: “Pode parecer jornalismo 101 (aula inicial), mas compartilhar esses panfletos realmente nos ajudou… As redes sociais começaram a se regular. Começar campanhas de alfabetização digital é crucial ”.

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Inclua timestamps (dia e hora) claros em todas as informações que você divulgar. Desse forma, evitará confusão. O que pode ser verdade em um momento pode mudar em minutos.

13

Considere usar bots para amplificar o alcance de suas checagens durante uma crise. Assim, você não vai ter mais trabalho conforme aumenta a quantidade compartilhamento de notícias falsas, e bots são relativamente fáceis de configurar. Veja como criar um em menos de 30 minutos.

14

Se você tiver tempo, considere fazer uma preparação prévia para notícias falsas recorrentes. Em casos de tiroteios ou ataques terroristas, rumores semelhantes tendem a se espalhar.

Tem uma dica que não está na lista? Envie para factchecknet@poynter.org.


Tradução: Bárbara Libório, do Aos Fatos
Revisão: Cristina Tardáguila e Douglas Silveira, da Agência Lupa