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Vacina contra coronavírus para cães não tem relação com Covid-19

Por Amanda Ribeiro

19 de março de 2020, 15h10


Não é verdade que o novo coronavírus (Sars-Cov-2), causador da Covid-19, seja conhecido pela medicina há muito tempo, nem que já exista uma vacina contra ele que é comumente usada em cães. Publicações que circulam nas redes sociais compartilham um vídeo no qual um homem mostra que a imunização contra um coronavírus consta no cartão de vacinação de seu cachorro (veja aqui). No entanto, ele confunde o Sars-Cov-2, que afeta humanos e foi descoberto em 7 de janeiro na China, com o coronavírus canino (CCoV), outro vírus da família dos coronavírus que infecta apenas animais e que já é conhecido desde a década de 1970.

Difundido por perfis pessoais nas redes, o vídeo acumulava, até a tarde desta quinta-feira (19), cerca de 1.000 compartilhamentos no Facebook. Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social.


FALSO

Um vídeo que tem sido compartilhado nas redes sociais engana ao dizer que a vacina para o novo coronavírus (Sars-Cov-2) já é conhecida e aplicada a cães. Nas imagens, um homem que não se identifica mostra o cartão de vacinação de seu cachorro, em que consta a vacinação para o coronavírus canino (CCoV). Esse vírus afeta apenas animais e é conhecido desde a década de 1970. Já o Sars-Cov-2, que causa a atual pandemia de Covid-19, foi descoberto em janeiro deste ano na China e ainda não há uma vacina ou tratamento específico pare ele, segundo a OMS.

Segundo Luciana Costa, diretora adjunta do Instituto de Microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), "o coronavírus é uma família de vírus que a gente conhece desde a década de 1960. E ele está distribuído em diferentes animais, principalmente aves e mamíferos". Ela aponta ainda que o vírus ao qual a peça de desinformação se refere — o CCoV — "é um coronavírus de cachorros, que só circula em cachorros".

O CCoV é responsável por causar a gastroenterite viral por coronavírus. Essa forma da doença, que causou um surto em animais em São Paulo nos anos 1980, provoca desconforto intestinal em cães e não é contagiosa para humanos. Há, também, outras mutações do coronavírus que atingem apenas animais: o FCoV, que atinge gatos, e o VBIG, que atinge aves.

O novo coronavírus, responsável pela Covid-19, doença que já atingiu cerca de 200 mil pessoas no mundo todo, é o Sars-Cov-2. Ele foi descoberto pelas autoridades chinesas no dia 7 de janeiro deste ano, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Apesar de já estarem sendo feitos testes em laboratório, ainda não há vacinas ou tratamentos que combatam a doença.

Corona é uma família de vírus causadora principalmente de doenças respiratórias, que, vistos em um microscópio, têm pontas que lembram as de uma coroa. Até o ano passado, eram conhecidos seis tipos de coronavírus que poderiam infectar humanos: eles causam problemas de saúde de gravidades variadas, que podem ir de uma gripe comum até infecções respiratórias agudas, como o Sars (Síndrome respiratória aguda grave) e o Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), que mataram centenas de pessoas em epidemias nos anos 2000 e 2010, respectivamente.

Referências:

1. NCBI
2. OMS
3. Bonde
4. Estadão
5. Instituto Biológico


Esta checagem foi atualizada às 11h15 do dia 20 de março para acrescentar as informações enviadas pela diretora do Instituto de Microbiologia da UFRJ, Luciana Costa.

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