Aos Fatos

Seja um apoiador

Checamos

Leia as últimas declarações checadas pela equipe do Aos Fatos

Mais

Explore todos os nossos conteúdos e checagens

Christian Wiediger/Unsplash

Uma a cada 4 pessoas consome notícias via WhatsApp regularmente

Por Sérgio Spagnuolo

26 de outubro de 2018, 19h00


Em meio ao debate sobre o papel do WhatsApp na disseminação de informações durante o ciclo eleitoral de 2018, pesquisa exclusiva indica que 25% das pessoas afirmam utilizar aplicativos de mensagem regularmente para o consumo de notícias. Ao mesmo tempo, porém, dizem nem sempre confiar no conteúdo consumido dentro dessas plataformas.

A conclusão é de uma pesquisa sobre hábitos de consumo de notícias em aplicativos de mensagem realizada pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês), sob o programa Truthbuzz, do qual o Aos Fatos é parceiro. O projeto tem estudado no Brasil e em outros quatro países (EUA, Nigéria, Indonésia e Índia) novos formatos e ferramentas para divulgação de conteúdo jornalístico em diversas plataformas — particularmente o WhatsApp.

O levantamento online foi realizado de 23 a 25 de outubro e teve 6.030 respondentes com mais de 18 anos em todo o Brasil, dos quais 24% (cerca de 1.450) informaram utilizar “WhatsApp e aplicativos de mensagem” como forma mais frequente de consumo de notícias durante a semana.

Esse item ficou praticamente empatado com “Sites de notícias” (25%), ao passo que “Redes Sociais” (33%), como Twitter e Facebook, foram assinaladas por um terço dos respondentes como mídia utilizada mais frequentemente para receber e consumir notícias.

A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Os entrevistados podiam assinalar mais de uma resposta. A pesquisa levou em conta o aspecto de “consumo de notícias” em relação ao WhatsApp e aplicativos de mensagem, e não seu uso como ferramenta de mensagem.

“Televisão” (20%), “Rádio” (8%) e “Jornais impressos e revistas” (6%) ficaram, respectivamente, na lanterna, ao passo que 23% assinalaram não utilizar nenhuma das opções indicadas.

(Des)confiança. Dentre os respondentes que assinalaram consumir notícias via WhatsApp e aplicativos de mensagem, nada menos do que 60% afirmaram confiar “apenas parte das vezes” no conteúdo recebido, enquanto 24% disseram “quase nunca confiar”. Apenas 16% indicaram confiar frequentemente nas notícias de WhatsApp.

Para se ter uma ideia do círculo fechado no qual muitas pessoas compartilham informações em aplicativos de mensagem, a pesquisa perguntou qual a frequência estimada de vezes que um respondente viu notícias políticas que tenham discordado nos últimos 30 dias. No total, 36% disseram ter visto esse tipo de conteúdo mais de uma vez por dia no WhatsApp ou aplicativos de mensagem, mas 16% disseram ver esse conteúdo menos de uma vez por semana.

Mídias mais usadas. Considerando trocas gerais de mensagens, não apenas notícias, a pesquisa constatou que "Imagem" é a forma mais comum de compartilhamento de conteúdo em geral no WhatsApp, com 53% dos respondentes assinalando esse recurso como forma mais comum de compartilhamento.

Vídeos vieram em seguida, com 42%, acompanhado de áudio (35%). Links externos e imagens animadas (GIFs) ficaram com 25% e 23%, respectivamente. Trocas de textos simples não foram consideradas no questionário. Respondentes puderam assinalar mais de uma alternativa.

Um dos recursos mais utilizados por sites jornalísticos, os links para artigos e reportagens, por outro lado, parece ter pouco apelo entre aqueles que utilizam Whatsapp frequentemente para consumir notícias. A grande maioria dos respondentes (44%) indicou clicar apenas "algumas vezes", à medida que um quarto deles afirmou "nunca" acessar links externos pela plataforma.

Enquanto isso, a maior parte das pessoas — dois terços — vê com certa frequência o mesmo conteúdo noticioso circulando tanto no WhatsApp quanto em redes sociais, como Facebook e Twitter. Apenas 16% afirmam nunca ver o mesmo conteúdo em suas redes, enquanto 19% dizem identificar essas notícias raramente em aplicativos de mensagens e redes sociais.