Aos Fatos

Congresso Nacional

O que Renan, Maia e demais candidatos já falaram de Bolsonaro antes de acenarem a ele

Por Ana Rita Cunha

1 de fevereiro de 2019, 12h25


Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Renan Calheiros (MDB-AL), favoritos na eleição para a presidência da Câmara e do Senado, já tiveram divergências com o presidente Jair Bolsonaro, mas se aproximaram cada vez mais do político nas vésperas das eleições das Casas Legislativas.

Em março de 2018, Maia não acreditava que Bolsonaro chegaria ao segundo turno e, em dezembro do ano passado, rebateu as críticas do presidente ao projeto de reforma da Previdência de Temer. No segundo turno, declarou votar “com convicção” em Bolsonaro. Renan Calheiros foi mais incisivo nas críticas e, em 2017, afirmou que o Brasil não merecia a ascensão da candidatura de Bolsonaro e, em fevereiro de 2018, criticou as propostas do político de modificar o Estatuto do Desarmamento. Depois da vitória de Bolsonaro, o político alagoano afirmou que o “novo Renan” é liberal.

Os deputados e senadores eleitos em 2018 escolhem os novos presidentes das duas Casas Legislativas nesta sexta-feira (1). Aos Fatos investigou o que os candidatos aos dois cargos falaram do presidente da República. A disputa é decisiva para o Planalto. Os presidentes das duas Casas Legislativas definem o que será votado no plenário, podendo facilitar ou dificultar a votação de pautas propostas pelo Executivo.

No momento da publicação desta reportagem, 12 pré- candidatos concorriam aos cargos de presidente da Câmara e do Senado. Porém, alguns dos nomes investigados por Aos Fatos podem acabar não concorrendo efetivamente. Isso porque o registro oficial das candidaturas ocorre no dia da votação. Na Câmara, os candidatos à presidência da casa podem se inscrever para eleição até 17h, uma hora antes do começo da votação. No Senado, as inscrição vai até às 18h, horário de início da votação.

Veja abaixo, em detalhes, o que apuramos.


Câmara dos Deputados

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Rodrigo Maia é o candidato favorito na disputa pela presidência da Câmara. Ele conquistou o apoio oficial de 13 partidos, que contam com 293 deputados. Se os deputados das siglas que o apoiam forem fiéis às orientações das lideranças, ele vence no primeiro turno, quando é necessário maioria absoluta (257 votos). Iniciando o quinto mandato, Maia tenta a reeleição como presidente da Câmara. Jair Bolsonaro não apoiou publicamente nenhum candidato e disse que se manteria neutro nas eleições das casas legislativas. O partido dele, no entanto, decidiu apoiar o DEM. Rodrigo Maia é citado em delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, João Borba Filho acusado de receber R$ 350 mil em caixa dois de campanha.

Todas essas frases [de Bolsonaro] podem levar o país a um caminho que no futuro vai ser muito criticado. — entrevista à Folha de S. Paulo

Em 2017, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Rodrigo Maia criticou Bolsonaro por uma declaração sobre o Congresso Nacional. Em um evento, Bolsonaro questionou se alguém choraria caso o ditador norte-coreano Kim Jong-Un lançasse uma bomba H em Brasília, mas que atingisse só o Parlamento. Maia considerou a declaração “perigosa” e um questionamento ao princípio democrático brasileiro.


Bolsonaro não vai nem para o segundo turno. — em entrevista ao Correio Braziliense

Em março de 2018, Maia, que foi pré-candidato à vaga, afirmou , em entrevista ao jornal Correio Braziliense, que não via viabilidade na candidatura de Bolsonaro. Em junho, mais perto do começo da propaganda eleitoral, ele disse, em entrevista ao Broadcast Político que pretendia votar em Ciro Gomes no segundo turno.

Votei em Bolsonaro com convicção. — em coletiva de imprensa

Ao sair da seção eleitoral no segundo turno, em outubro, Rodrigo Maia declarou ter votado em Jair Bolsonaro para presidente. Já em clima de campanha para a presidência da Câmara, o deputado defendeu “que o Congresso compreenda o resultado das urnas e comece a trabalhar”. Disse ainda que “o Brasil precisa das reformas, diminuir o tamanho do estado” e acenou para mudanças no Estatuto do Desarmamento.

O DEM não faz parte do governo. — em evento da Abrig

Em novembro de 2018, durante evento da Abrig (Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais), Maia buscou distanciar o DEM do novo presidente eleito. Ao comentar sobre a relação do partido com o governo de Bolsonaro, afirmou que nenhum dos três ministros filiados ao DEM — Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde) — tinham sido indicação do partido. Por outro lado, Maia afirmou que seu partido tem afinidade com a agenda do ministro da Economia: “O DEM está pronto para votar as propostas que serão encaminhadas pelo Paulo Guedes porque acredita nelas, independente do governo”.

A proposta de Temer não prejudica os idosos. — em entrevista coletiva

Em dezembro de 2018, Maia rebateu as críticas de Bolsonaro ao projeto de reforma da previdência apresentado à Câmara. O então presidente eleito afirmou que o projeto de Temer não era o melhor, pois prejudicaria muito os idosos. Para Maia, “a proposta que está colocada não corta nenhum tipo de aposentadoria. Ninguém está tratando de idoso, porque, graças a Deus, o Brasil não chegou à situação de Portugal”.

João Henrique Caldas (PSB-AL)

Algumas pautas preocupam, mas foram escolhidas em um processo democrático. — em entrevista ao Diário de Pernambuco

Iniciando seu segundo mandato, João Henrique Caldas tentará a vaga na Câmara dos deputados com apoio do PT, anunciado na véspera da eleição. O PT é o partido com maior bancada na Câmara e junto com o PSB, somam 83 deputados. Em 2017, JHC recebeu o voto de Bolsonaro quando foi escolhido para estar à frente da Terceira-Secretaria. Em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, nesta quinta-feira (31), JHC afirmou que o governo de Bolsonaro tem “uma disposição grande para acertar”, mas que “algumas pautas preocupam”. Em 2016, ele gravou um vídeo ao lado de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, em que ambos defendiam menores restrições nos pacotes de dados de internet móvel.

Fábio Ramalho (MDB-MG)

Esse apoio do PSL não é apoio dele [Bolsonaro]. — em entrevista ao Congresso em Foco

O deputado federal no quarto mandato e atual vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho, disputa a eleição sem apoio de sua sigla, que está apoiando Rodrigo Maia. Ramalho também é citado em delação premiada de ex-executivo da Odebrecht acusado de receber R$ 50 mil para aprovação de projetos favoráveis à construtora. No começo de janeiro, visitou Bolsonaro e questionou se o apoio do PSL à Maia seria a opção preferida do presidente. Em entrevista ao Congresso em Foco, Fábio Ramalho afirmou também que aposta em sua ascendência sobre o baixo clero e sua boa relação com Bolsonaro para angariar votos.

Ricardo Barros (PP-PR)

O partido que ganha tem um programa de governo (...) terá que dividir seu programa de governo e adaptá-lo ao que outros partidos têm em cada área de governança. — entrevista ao Estado de S. Paulo

Deputado federal no quinto mandato, tesoureiro do PP (partido anterior de Bolsonaro antes de se filiar ao PSL) e ex-ministro da Saúde no governo Michel Temer, Ricardo Barros disputa a eleição da presidência da Câmara sem o apoio do próprio partido. O partido de Barros vai apoiar a candidatura de Maia. Barros é citado nas investigações da Lava Jato e na operação Quadro negro no Paraná. O deputado aparece na lista do setor de Operações estruturadas da Odebrecht e também foi citado em delação de ex-executivo da construtora Valor por ter recebido propina na compra de cargos no governo paranaense em 2015, quando sua esposa Cida Borghetti era governadora interina do estado.

Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, em outubro de 2018, Barros afirmou que a chegada de Bolsonaro ao poder era um momento semelhante ao da eleição de Collor: “ele representou momento desse, o caçador de marajás, e acabou depois se mostrando incapacitado para formar governo”.

Marcelo Freixo (PSOL-RJ)

Bolsonaro defende a tortura e a intolerância. — no Twitter

Em seu primeiro mandato na Câmara, Marcelo Freixo pretende concorrer à presidência pelo PSOL. O partido conta com 10 deputados e tentou articular uma frente de esquerda, mas não conseguiu apoio de partidos maiores como o PSB ou o PC do B. Freixo já fazia oposição às ideias de Bolsonaro e do seus filhos quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Durante a campanha eleitoral, fez diversas críticas ao programa de governo de Bolsonaro. Na conta pessoal no Twitter, Freixo afirmou que o mais grave do “discurso de ódio” de Bolsonaro é que “ele não irá controlar a quantidade de violência que irá surgir”. Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, Freixo afirmou que quer atuar na Câmara para “buscar a unidade do campo progressista no Congresso o tempo todo”.

Marcel Van Hatten (Novo-RS)

Eleger Bolsonaro agora é imperativo. — no Twitter

Também no primeiro mandato na Câmara, Marcel Van Hatten, conta com os votos dos 8 deputados eleitos pelo Novo e com o apoio do dissidente do DEM Kim Kataguiri, que desistiu de concorrer à presidência da casa e não apoiará o Rodrigo Maia. Van Hatten apoio a campanha de Bolsonaro no segundo turno e, na conta pessoal no Twitter, afirmou que a eleição do então candidato do PSL iria evitar que o PT “comprasse novamente os deputados corruptos e perseguir e forçar ao exílio, para não mencionar coisa pior”. Van Hatten é autor de um projeto de lei do Escola sem Partido, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.


Senado

Renan Calheiros (MDB-AL)

Em seu quarto mandato no Senado, Renan Calheiros pretende se reeleger na presidência do Senado e continuar com a predominância do MDB, que desde 2007 a sigla preside o Senado. O senador é investigado em 14 inquéritos - oito dizem respeito à Operação Lava-Jato, um à Zelotes, um a desvios em Belo Monte. Em 2001, Renan Calheiros renunciou à presidência do Senado após denúncia de que recebia mesada de uma empreiteira para pagar a pensão de uma filha. Ele foi absolvido dessa acusação pelo Supremo Tribunal Federal.

Com a proximidade das eleições do Senado, Renan Calheiros desceu do palanque do candidato derrotado Fernando Haddad (PT), onde fazia críticas à Bolsonaro e defendia a liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva, para prometer o que ele considera "um novo Renan". Bolsonaro também mudou a postura com o senador. Em outubro, afirmou que Renan via a candidatura do político do PSL como “ameaça ao sistema”. Ontem, ligou, segundo apuração de bastidores, para o senador para parabenizá-lo pela vitória na reunião do MDB. Até quinta-feira (31), a colega de partido Simone Tebet ameaçava dividir o MDB e disputar a eleição junto com Renan. Após decisão da cúpula do partido em favor da candidatura de Renan, Simone recuou da decisão.

Brasil não merece Bolsonaro. — no Instagram

Em vídeo que não está mais disponível no Instagram, Renan Calheiros, em outubro de 2017, criticou as medidas judiciais contra a candidatura de Lula e também afirmou que via com preocupação a ascensão política de Bolsonaro. Apesar do vídeo não estar mais no Instagram, o próprio Renan Calheiros postou na conta do Twitter uma coluna do jornal alagoana AL1 sobre o vídeo. Jair Bolsonaro também postou no Twitter o trecho do vídeo em que é criticado por Renan.

Tenho imensa preocupação com esse discurso de que armar cidadãos de bem é uma saída para a redução da violência. — Twitter

Em fevereiro de 2018, Renan continuou usando as redes sociais para criticar Bolsonaro. Dessa vez a crítica foi dirigida às propostas de Maia e Bolsonaro sobre flexibilização das regras para posse de arma de fogo. Esse tema é uma das principais bandeiras de Bolsonaro, que na terceira semana de governo assinou um decreto para facilitar a obtenção da autorização de posse de arma.

Qualquer precipitação sobre projetos pessoais, colocará uma questão menor acima da necessidade de defender a democracia. — em nota à imprensa

Em outubro de 2018, Renan Calheiros entregou uma nota à imprensa para criticar as declarações de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, que logo após o primeiro turno afirmou que seu pai não tinha interesse em ver Renan na presidência do Senado. A candidatura de Renan à presidência da casa também foi criticada pelo senador Flávio Bolsonaro, que em entrevista à Globo News, disse não haver “a menor condição” de Renan Calheiros continuar presidente do Senado.

Não posso antecipar se serei oposição, você não pode se colocar indefinitivamente num campo político. — em coletiva de imprensa

Renan Calheiros vinha se colocando na oposição à Bolsonaro, mas após o resultado eleitoral, o senador começou a reduzir as críticas ao presidente eleito. Em novembro, em coletiva de imprensa, Renan elogiou Sérgio Moro e sinalizou simpatia pela pauta econômica de Paulo Guedes.

O outro [Renan] era mais estatizante. Este será um Renan liberal, que vai ajudar a fazer as reformas. — em entrevista ao Valor Econômico

Na semana da eleição do Senado, Renan Calheiros prometeu uma metamorfose. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o senador afirmou estar “mais liberal”. Ele disse, parafraseando a música de Raul Seixas, que era melhor mudar de opinião “do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Major Olímpio (PSL-SP)

Eu, se estiver na presidência do Senado, o alinhamento com o discurso do governo, com o discurso de Jair Bolsonaro com os compromissos, aí é total e integral. — em entrevista à Folha de S.Paulo

No seu primeiro mandato, o senador Major Olímpio, em entrevista à Folha de S. Paulo, no começo de janeiro, disse que não escolheu se candidatar, mas foi “escalado pelo partido a partir do presidente do partido, Luciano Bivar”. Braço direito de Bolsonaro durante a campanha eleitoral, Olímpio atuava na bancada da bala e trocou de partido ao se aproximar de Bolsonaro, saindo do Solidariedade para o PSL. Ele foi eleito com campanha baseada no WhatsApp, contando com 897 grupos no aplicativo de mensagens e o número de 60 mil dos 90 mil policiais militares na ativa de São Paulo, segundo o candidato afirmou em julho à revista Piauí.

Esperidião Amim (PP-SC)

Ele é a representação do equilíbrio. — no Twitter

Esperidião Amin está no seu segundo mandato não consecutivo (o mandato anterior foi entre 1991 a 1998). O político catarinenses defendeu voto em Bolsonaro durante as eleições de 2018, mesmo com o PP apoiando a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). Na Câmara, quando era deputado federal, Espiridião tinha relação próxima com Bolsonaro e, em março de 2018, gravou um vídeo, postado no Twitter por Eduardo Bolsonaro, chamando o presidente de “representação do equilíbrio”.

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

PSDB não tem a linha do Bolsonaro e fará oposição a ele ou ao PT. — em entrevista à Folha de S. Paulo

O senador, que tem mais quatro anos de segundo mandato e é ex-presidente nacional do PSDB, conta com a segunda maior bancada do Senado em 2019, com oito senadores. Em outubro de 2018, depois do primeiro turno, Jereissati indicou afastamento do partido da base do governo de Bolsonaro, em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele classificou o grupo de Bolsonaro como “muito perigoso" e afirmou participar da articulação de um "grupo do bom senso" para enfrentar pautas “polarizantes” do governo.

Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Bolsonaro vai respeitar a independência dos Poderes. — em entrevista à Rádio Senado

Davi Alcolumbre está na metade do primeiro mandato do senado. Ele é próximo do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni e emprega a mulher do ministro, Denise Veberlin, no gabinete parlamentar desde 2016. Alcolumbre é alvo de inquérito no STF que apura seu envolvimento com crimes eleitorais, como abuso de poder econômico, político e de autoridade. Em entrevista à Rádio Senado, no começo de janeiro, Alcolumbre defendeu o governo Bolsonaro e afirmou que “o Congresso será fundamental para junto com o presidente aprovar as reformas estruturantes”.

Ângelo Coronel (PSD-BA)

Nas pautas que forem importantes para o país, não serei oposição ao presidente da República. — em entrevista à Folha de S. Paulo

No primeiro mandato como senador, Ângelo Coronel terá candidatura independente, sem apoio do partido. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em janeiro, Coronel defendeu a criação de um “ministério paralelo” para fazer propostas alternativas ao apresentado pelo governo de Bolsonaro. O coronel defende temas semelhantes ao de Bolsonaro, mas com propostas diferentes. No caso da reforma da Previdência, por exemplo, o senador do PSD defende desengavetar uma proposta de idade mínima variando de acordo com a atividade profissional.

Fernando Collor (Pros-AL)

Política externa brasileira não pode sofrer nenhuma mudança radical pelo governo Jair Bolsonaro — em entrevista a O Globo

Em seu quarto mandato como senador, o ex-presidente Fernando Collor não anunciou previamente a intenção de concorrer, mas foi o primeiro candidato à presidência do Senado a se inscrever nesta sexta-feira. Ele, que presidiu a Comissão de Assuntos exteriores (tem que ver o nome direito), já exortou Bolsonaro a manter os princípios da política externa brasileira.

Em novembro de 2018, em entrevista ao jornal O Globo, Collor criticou as declarações de Bolsonaro contra Cuba. “A busca do consenso [com outros países] não se coaduna com declarações ferozes e desrespeitosas”, disse o senador que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Em janeiro, Collor e Bolsonaro se aproximaram e o presidente elogiou o senador em cerimônia militar um dia depois da posse e o convidou para almoço com Macri. De acordo com o Broadcast Político, a candidatura de Collor é articulada pelo brigadeiro Átila Maia (PRTB), mesmo partido do vice-presidente general Augusto Mourão. Collor responde a seis inquéritos ligados a Lava Jato e é réu no STF sob acusação de, com mais duas pessoas, receber mais de R$ 29 milhões em propina entre 2010 e 2014.