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Homens e mulheres atingem igualdade na crise apenas na hora da demissão

Por Ana Rita Cunha

8 de março de 2018, 01h50


Homens e mulheres estão sofrendo de forma semelhante os impactos da crise em relação ao desemprego. A igualdade para demitir, no entanto, não acontece na hora de contratar. Mulheres são maioria em empregos precários e têm renda 24% menor do que os homens.

Aos Fatos reuniu alguns indicadores para mostrar como a crise dos últimos anos afetou as mulheres.

Renda. Durante a crise econômica, houve uma leve redução na diferença entre a renda média de homens e mulheres, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) contínua trimestral, do IBGE. Essa queda, no entanto, esteve mais relacionado à retração da renda média masculina principalmente em 2015.

Ao final de 2012, a renda média feminina era 26% menor do que a masculina, em 2016, essa diferença salarial caiu para 23%.

Durante o período de retomada do crescimento econômico, a renda média masculina cresceu 2%, no último trimestre de 2017, comparado com o último trimestre de 2016. A renda média feminina ficou praticamente estagnada nesse mesmo período de comparação, com leve alta de 0,2%.

A renda média das mulheres ao final de 2017 era de R$ 1.773,88, 24% menor do que a renda média masculina, de R$ 2.346,03.

Ocupação. Apesar de representarem 52% da população com mais de 14 anos, as mulheres são minoria na força de trabalho (soma das pessoas ocupadas e desocupadas). Durante a crise econômica houve aumento na presença de mulheres na força de trabalho, o que, no entanto, não implicou no aumento de mulheres ocupadas.

Em 2012, as mulheres representavam 43% da força de trabalho (92% empregadas e 8% desempregadas) e passaram para 45% ao final de 2017 (87% ocupadas e 13% desocupadas). Entre os homens, em 2012, 94% estavam empregados e 6% desempregados. Em 2017, 90% dos homens da força de trabalho estavam empregados e 10% desocupados.

Desemprego. O desemprego é um dos principais indicadores da crise econômica e ainda permanece alto. No último trimestre de 2012, o Brasil somava 6,65 milhões de desempregados, número que subiu 85%, passando para 12,31 milhões ao final de 2017, segundo os dados da Pnad contínua trimestral. São consideradas desocupadas, pessoas que não estão trabalhando, procuraram emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa e estavam aptas a começar a trabalhar.

Ao final de 2012, as mulheres correspondiam a 52,8% da massa de desempregado, enquanto os homens representavam 47,2%. No último trimestre de 2017, as mulheres eram 50,7% dos desocupados, enquanto os homens representavam 49,3%. Vale lembrar que essa "igualdade" foi conquistada pela queda de setores que empregam majoritariamente homens, como por exemplo construção civil.

Empregos precários. Além de serem maioria dos desempregados, as mulheres também lideram na ocupação de empregos mais precários. De acordo com os dados da Pnad contínua, durante a crise econômica houve aumento no número de pessoas subocupadas (trabalham menos de 40 horas por semana e gostariam de trabalhar mais). Essa alta foi mais forte entre as mulheres, que já eram maioria dos trabalhadores subocupados.

Em 2012, 5,32 milhões de brasileiros estavam subocupados, esse número aumentou 22%, para 6,46 milhões em 2017. Nesse mesmo período de comparação, o grupo de mulheres subocupadas aumentou 28%, enquanto o de homens cresceu 15%.