Aos Fatos

Geraldo Magela/Agência Senado

As contradições de Jucá na busca por apoio a Temer

Por Tai Nalon

1 de agosto de 2017, 19h00


Na véspera da votação que irá analisar a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), afirmou que o partido deverá votar nesta quarta-feira (2) contra o prosseguimento do processo. A decisão vai, entretanto, contra congressistas do partido que se dizem abertamente a favor da continuidade da denúncia.

Ao marcar posição, Jucá disse que retaliaria correligionários que eventualmente votassem contra a posição da sigla.

CONTRADITÓRIO

Qualquer ato em oposição à decisão do partido terá consequências.

A fala de Jucá contrasta com posições defendidas pelo presidente do PMDB em episódios passados da crise política. Aos Fatos elencou algumas dessas contradições, que vão desde a posição do PMDB em relação a votações críticas no Legislativo até a repartição de cargos para obter apoio político.


Não precisa fechar questão, pois isso não é questão partidária, é questão de foro íntimo, de julgamento.

No início de julho, Jucá afirmava que o julgamento de Temer na Câmara "não é uma questão partidária". Ele alegava que seguiria a mesma orientação da análise do processo de impeachment de Dilma, um ano e dois meses antes. "Nós não fechamos questão no caso do impeachment da Dilma, porque era uma questão processual que estava lá. Você não vai chegar num julgamento e ir no jurado para fechar questão. Respeitamos a posição dos nossos deputados."

Foi também durante a tramitação do impeachment, desta vez no Senado, que Jucá afirmou o seguinte:

A hora não é de ficar com raiva devido a algum posicionamento pessoal, mas de construir convergências, buscar os caminhos, corrigir os erros e, a partir de hoje, termos a coragem de mudar o Brasil.

A declaração foi dada em 31 de agosto de 2016, logo depois de o Senado ter decidido pelo afastamento definitivo de Dilma Rousseff. Ali, Jucá minimizou as consequências dos votos de peemedebistas que optaram pela manutenção dos direitos políticos da ex-presidente. "Não vamos transplantar uma posição que foi dada pessoalmente por alguns senadores, alguns motivados por pena, outros por qualquer outro tipo de relação, com questões institucionais e menos ainda político-partidárias", continuou.


A indefinição do PSDB em apoiar o governo Temer também foi alvo de críticas do presidente do PMDB. Em junho passado, a reboque do caso JBS e da divulgação de seus áudios, Jucá disse:

Se o PSDB deixar hoje a base vai ficar muito difícil de o PMDB apoiá-los nas eleições de 2018. Política é feita de reciprocidade.

No entanto, durante a tramitação do processo de impeachment, no ano passado, Jucá atacou o troca-troca de cargos promovido pelo então moribundo governo Dilma Rousseff em abril de 2016, antes da votação do impeachment na Câmara. Ele afirmou o seguinte:

O governo busca votos em troca de ministérios com um cheque pré-datado. Quem pensa que uma estratégia para conseguir 180 votos, alguns escondidos, resolve o problema do país, me desculpe.

São necessários ao menos 342 votos contra o relatório aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, no mês passado, para que a denúncia contra Temer tenha prosseguimento. Uma vez com a ação penal oficializado pelo Legislativo, o STF deverá decidir se aceita ou não o processo. Caso positivo, Temer viraria réu e seria afastado do cargo por até 180 dias.