Aos Fatos

Zélia Cardoso não foi embaixadora do Brasil nos EUA

Por Luiz Fernando Menezes

16 de julho de 2019, 15h40


Não é verdade que a ex-ministra da Economia, Fazenda e Planejamento do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello, foi embaixadora do Brasil nos EUA antes de ocupar a pasta, como afirma publicação que circula nas redes (veja aqui). A economista, na verdade, integrou o departamento econômico da embaixada brasileira em Londres.

Até esta terça-feira (16), a peça de desinformação já acumula cerca de 1.500 compartilhamentos no Facebook. Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (veja como funciona).


FALSO

Vc sabia que a Zélia Cardoso, antes de ser ministra, foi embaixadora do Brasil, nos EUA, sem falar inglês? Não, vc não se preocupava com o Brasil antigamente. Só agora, já que ele está sendo colocado nos trilhos!

Zélia Cardoso de Mello, ministra da Economia, Fazenda e Planejamento do governo de Fernando Collor de Melo, nunca foi embaixadora do Brasil nos EUA, como afirma uma publicação que circula nas redes. Em 1981, a economista foi integrante do departamento econômico da embaixada brasileira em Londres, na Inglaterra. Antes de aceitar o convite, Zélia era professora de história econômica da USP.

Desde a redemocratização, o Brasil teve nove embaixadores em Washington, todos homens da carreira diplomática. Quem ocupava o cargo no governo Sarney e início do governo Collor era Marcílio Marques Moreira, que foi embaixador entre 1986 e 1991. Foi ele também quem assumiu o Ministério da Economia após a demissão de Zélia, em maio de 1991.

Aos Fatos não encontrou nenhuma informação de que a economista não soubesse falar inglês, como afirma a publicação nas redes.

Este é a segunda peça de desinformação checada por Aos Fatos sobre antigas nomeações para a embaixada do Brasil nos EUA. Na segunda-feira (15), verificamos que era falsa a informação de que o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB) teria sido nomeado para o cargo durante governos do PT.

Referências:

1. FGV
2. Estadão
3. Ministério da Economia
4. Aos Fatos