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WhatsApp diz combater desinformação, mas causa ruído em reunião no TSE com checadores

23 de outubro de 2018, 15h40


Aos Fatos participou nesta segunda-feira (22) da reunião do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, no Tribunal Superior Eleitoral. O objetivo do encontro era apresentar a ministros, procuradores e demais autoridades interessadas o que plataformas como WhatsApp, Facebook, Twitter e Google, além de sites de checagem, estão fazendo para combater desinformação às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.

O evento, entretanto, converteu-se em uma oportunidade para a rede protagonista destas eleições, o WhatsApp, espalhar desinformação a respeito das ações que tem tomado nessa seara. A Agência Lupa também registrou o encontro.

Em sua fala, a representante da plataforma, Keyla Maggessy, enumerou por videoconferência uma série de iniciativas de checagem com as quais mantém parceria. Afirmou, entretanto, que, entre os parceiros do WhatsApp para combater informações falsas no aplicativo, está Aos Fatos. A declaração não é correta.

Aos Fatos mantém desde agosto um canal de comunicação com seus leitores através da plataforma WhatsApp Business. Por meio do número (21) 99956-5882, leitores podem se cadastrar para receber diariamente checagens do Aos Fatos e enviar pedidos de verificação para sua equipe de jornalistas. O dispositivo foi apresentado ao Aos Fatos e a checadores de todo o mundo em evento da International Fact-Checking Network em Roma, em julho passado. "Dizer que usar o WhatsApp Business é uma parceria é a mesma coisa que dizer que somos parceiros da empresa de telefonia porque usamos a internet para publicar nossas checagens", afirma Tai Nalon, diretora deste site.

O gerente de políticas públicas do WhatsApp, Ben Supple, afirmou por e-mail que "nós não mencionamos uma parceria formal nem estamos tentando implicar isso". "Estamos apenas indicando organizações que estão usando o WhatApp Business como parte de seu trabalho de checagem de fatos, então nos desculpamos se houve alguma confusão nesse ponto". Supple afirmou que enviaria ao TSE uma nota de esclarecimento.

Aos Fatos não autorizou em qualquer momento o uso de sua marca para associar ações do WhatsApp no combate à desinformação durante as eleições. É verdade que este site tem disposição de manter parcerias com empresas de tecnologia para combater informações falsas — como, por exemplo, o Facebook — e tem tentado estabelecer canais de contato para esse fim com o WhatsApp, mas não há qualquer avanço em diálogos e propostas com ações mais concretas.

Combate junto ao TSE. Junto a Agência Lupa, Boatos.org, Comprova, e-Farsas, Estadão Verifica e Truco/Agência Pública, Aos Fatos encaminhou ao TSE nesta segunda-feira um documento com quatro propostas para combater notícias falsas. O grupo pede que o órgão forneça às suas equipes editoriais comunicação eficiente e direta durante o próximo fim de semana e acesso rápido aos TREs, bem como a especialistas em direito eleitoral e em urnas eletrônicas. Pede também que a Corte defenda publicamente a atuação de jornalistas alvos de agressão e assédio e que apoie iniciativas de alfabetização midiática.

O grupo também manifestou ao TSE preocupação com a escalada da desinformação nas redes sociais e levou números que comprovam a proliferação de informações falsas em vários formatos.

A diretora do Aos Fatos, Tai Nalon, apresentou durante o evento no TSE números que atestam o nível industrial que a distribuição de notícias, imagens, áudios e vídeos falsos têm alcançado durante a campanha eleitoral. No fim de semana do primeiro turno das eleições, Aos Fatos desmentiu 12 boatos que, somados, acumularam mais de 1,17 milhão de compartilhamentos no Facebook. Os boatos que tiveram maior tração na rede foram aqueles relacionados a fraudes nas urnas eletrônicas, com ao menos 844,3 mil compartilhamentos. Os números, entretanto, são subestimados, porque o nível de engajamento no WhatsApp não é possível de mensurar.

Aos Fatos também monitora desde o início do segundo turno a distribuição de desinformação no Facebook e já produziu checagens sobre essas imagens, textos e vídeos que acumularam, até o último domingo, 1,12 milhão de compartilhamentos. A maioria das peças foi recebida como sugestão de checagem também pelo canal de WhatsApp do site, mas a medição de alcance delas no aplicativo é impossível.

No Facebook, a peça falsa de maior alcance foi a que afirmava que Haddad criou o chamado "kit gay", com mais de 400 mil compartilhamentos. Apesar de o TSE ter decidido pela proibição da associação desse termo com livro nunca distribuído pelo Ministério da Educação sob a gestão de Haddad em peças de propaganda eleitoral, novos links e imagens que atribuíam ao candidato a paternidade do projeto acumularam mais de 100 mil compartilhamentos apenas na última semana.

O boato que atribuía a Haddad a autoria de um livro em que defendia a prática de incesto teve ao menos 170 mil compartilhamentos desde que o filósofo Olavo de Carvalho publicou no Facebook, na segunda semana de outubro, sua interpretação do livro Em Defesa do Socialismo, de autoria do candidato. Ao analisar o pedido de retirada do conteúdo das redes pela campanha encabeçada por Haddad, o ministro do TSE Luis Felipe Salomão considerou que a liberdade de expressão também abrange a defesa de manifestações e opiniões "minoritárias, contrárias às crenças estabelecidas, discordantes, críticas e incômodas". A peça de desinformação foi classificada como falsa por Aos Fatos.