Aos Fatos

Vídeo de jornalista viraliza nas redes como se fosse de vítima de Brumadinho

Por Luiz Fernando Menezes

1 de fevereiro de 2019, 17h47


Um vídeo do jornalista Sérgio Cursino intitulado "A gente vai embora" tem sido atribuído nas redes sociais, de maneira falsa, a Márcio Mascarenhas, dono de uma pousada em Brumadinho (MG) que morreu no desastre provocado pelo rompimento da barragem da Vale, há uma semana.

A informação enganosa viralizou nas redes sociais desde a última quarta-feira (30), quando Cursino publicou originalmente o vídeo em seu canal no YouTube. No Facebook, uma das publicações que faz a falsa associação já passa de 82 mil compartilhamentos. Esta e outras postagens semelhantes foram marcadas por Aos Fatos com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (entenda como funciona).


FALSO

Olha o dono da pousada de Brumadinho

No vídeo, Sergio Cursino declama um texto para refletir sobre a fugacidade da vida, com trechos como “a gente vai embora, toda nossa importância se esvai, essa importância que nós pensávamos que tínhamos, a vida continua, ela segue, as pessoas superam”. O mote da mensagem fez com que muita gente compartilhasse o conteúdo achando que teria sido gravado pelo dono da pousada Nova Estância, Márcio Mascarenhas, antes de morrer no desastre de Brumadinho (MG).

Os corpos de Mascarenhas e de seu filho, Márcio Coelho Barbosa Mascarenhas, foram identificados na última quarta-feira (30). A sua esposa, Cleosane Coelho Mascarenhas, também morreu em decorrência do rompimento da barragem da Vale. A pousada, que ficava perto da entrada da mineradora, foi soterrada pela lama.

Ao Aos Fatos, por mensagem de áudio, o jornalista Sergio Cursino disse que a atribuição enganosa do vídeo é uma "notícia fora de qualquer conexão" e que lamenta "pelo senhor que faleceu, pelas vidas que se foram nessa tragédia. O Brasil precisa mudar demais, a começar por nós próprios".

Cursino também desmentiu o vídeo em duas publicações no Facebook. Na primeira, publicada na madrugada desta sexta-feira (1º), ele comenta a republicação da história falsa pelo jornalista Cacau Menezes: “é um grande comunicador catarinense, passível de erro. Acontece: me matou, mas literalmente a vida segue”. Depois, em outra publicação, diz “sou o morto mais saudável do Brasil. E vivo”.

Conteúdo semelhante também foi checado pelo Boatos.org.