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Twitter de Dallagnol mostra afinidade com Barroso e oposição a Mendes

Por Bruno Fávero

18 de junho de 2019, 16h15


Usuário frequente do Twitter — posta em média 4,7 mensagens por dia—, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, publica comentários com regularidade sobre a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente dos ministros Luís Roberto Barroso (o mais elogiado, com 98 menções positivas) e Gilmar Mendes (o mais criticado, com 81 mensagens negativas).

Entre 2014 e junho de 2019, ele fez 305 menções aos magistrados, das quais 162 tiveram conotação positiva e 117, negativa; 22 foram neutras, segundo levantamento feito por Aos Fatos.

A relação de Dallagnol com a Corte — em especial com o ministro Luiz Fux — passou a ser escrutinada depois que o site The Intercept Brasil e a rádio BandNews publicaram, na semana passada, mensagens atribuídas ao procurador e ao hoje ministro Sergio Moro. No diálogo, de 2016, Dallagnol diz ao então juiz que Fux teria manifestado apoio à Operação Lava Jato e afirmado que a força-tarefa poderia "contar com ele". Ao que Moro teria respondido: "Excelente. In Fux We Trust [No Fux, nós confiamos]".

No Twitter de Dallagnol, Fux aparece em apenas 12 mensagens, oito positivas, três neutras e uma negativa. A postagem crítica é sobre quando o ministro mandou suspender a investigação contra Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL), que virou alvo por uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão em sua conta.

Já as citações positivas se referem principalmente à atuação de Fux nos casos da Lava Jato ou em votações de interesse dos procuradores de Curitiba, como a que determinou que crimes de caixa 2 sejam julgados pela Justiça Eleitoral, não pela Justiça Comum.

O ministro Teori Zavascki, morto em 2017, que também é citado no suposto diálogo entre Moro e Dallagnol, aparece em três posts do procurador, dois negativos e um neutro.

Os preferidos. Pode-se distinguir quatro grupos diferentes no STF, de acordo com o tratamento que recebem do procurador no Twitter.

O primeiro, composto por Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Luiz Fux, é citado quase sempre com viés positivo. O segundo, que tem Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandovski, com tom negativo. Já Marco Aurélio Mello é tratado de forma ambivalente: foram cinco menções negativas, quatro positivas e uma neutra. Por fim, Alexandre de Moraes, Celso de Mello e Rosa Weber quase não foram citados.

As menções elogiosas a Barroso frequentemente reproduzem alguma fala do ministro, normalmente sobre o combate à corrupção — das 98 menções positivas, 37 são sobre esse assunto.

Já Gilmar Mendes foi criticado por ordenar a soltura de acusados de corrupção — foram 24 mensagens sobre o tema. Um dos casos que mais gerou protestos de Dallagnol foi a libertação do empresário Jacob Barata Filho, assunto de nove tweets.

Barata foi preso em julho de 2017 no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, quando tentava embarcar para Lisboa com R$ 40 mil não declarados à Receita. Ele é acusado de fazer parte de um esquema de corrupção no setor de transportes do Rio.

No mês seguinte, Mendes ordenou sua soltura. O então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a suspeição do ministro no caso por ele ter sido padrinho de casamento da filha de Barata.

Engajamento. Os tweets de Dallagnol sobre o STF também variaram em repercussão e no tema que abordam. O menos popular, com 33 curtidas, é a reprodução de uma crítica do jornalista Josias de Souza ao ministro Gilmar Mendes, em 2017.

Já o que teve mais curtidas foi o tweet com crítica a Fux sobre o caso Queiroz, com mais de 28 mil likes na rede social.

Entre as palavras-chave mais comuns mencionadas por Dallagnol estão: Operação Lava Jato (citada nominalmente 58 vezes), corrupção (54 menções) e foro privilegiado (30 menções).

No ano passado, o STF decidiu restringir o foro especial de congressistas a acusações de crimes cometidos durante o mandato. O procurador, assim como outros nomes ligados à Lava Jato, defendeu a medida e, antes da decisão, pressionou os ministros do tribunal pelo Twitter.

Das cinco mensagens do procurador sobre ministros do STF que tiveram mais curtidas, três foram publicadas neste ano e, dessas, duas têm relação com as reportagens do Intercept. Veja abaixo:

Levantamento. Os tweets de Dallagnol foram compilados em uma planilha usando a ferramenta Web Scraper, capaz de escanear contas do Twitter em busca de termos específicos (neste caso, os nomes dos ministros do STF).

As mensagens foram, então, avaliadas uma a uma e classificadas como positivas, negativas ou neutras, de acordo com o contexto da citação feita a um ministro. Postagens com o nome de mais de um magistrado foram contabilizadas como mais de uma menção.

Por exemplo, em 12 de dezembro de 2017, Dallagnol twittou: "Min. Edson Fachin, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia votaram contra o poder das assembleias de revogar as medidas judiciais. Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Celso de Mello votaram a favor do poder das assembleias". Neste caso, um tweet contém nove menções, cinco positivas (a Fachin Rosa Weber, Fux, Toffoli e Cármen Lúcia) e quatro negativas (Marco Aurélio, Moraes, Gilmar e Celso de Mello).

Todos os tweets e avaliações estão nesta planilha.

Referências:

1. BandNews
2. G1 (1), (2) e (3)
3. UOL
4. O Globo
5. WebScraper