Aos Fatos

Tweet de Bolsonaro a favor de Pezão é montagem; posts não passavam de 140 caracteres em 2014

Por Ana Rita Cunha

29 de novembro de 2018, 18h44


O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) não escreveu tweet indicando voto em Luiz Fernando Pezão (MDB) em 2014, quando o político concorria à reeleição ao governo do Rio de Janeiro. É, portanto, uma montagem a imagem da publicação em que o capitão reformado teria elogiado o “legado de investimento” do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e defendido voto em Pezão e no então candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB).

A peça de desinformação foi compartilhada por críticos de Bolsonaro após a prisão de Pezão nesta quinta-feira. É verdade, no entanto, que Bolsonaro apoiou a candidadura de Pezão e de Aécio, em 2014

A montagem também foi publicada por políticos de esquerda, como o deputado federal eleito Marcelo Freixo (PSOL-RJ) — que depois apagou o tweet — e por páginas de Facebook como a Ciro Gomes Pernambuco, com mais de 2 mil compartilhamentos. Este e outros conteúdos idênticos foram denunciados por usuários do Facebook e marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

O povo do Rio de Janeiro deve dar uma chance a Pezão como governador para ele dar continuidade ao legado de investimentos iniciado por Cabral. Com relação ao 2°turno da eleição federal, Aécio representa a honestidade que o Brasil precisa. #Aecio45 #Pezao15

A mensagem acima circulou na imagem de um tweet supostamente escrito por Jair Bolsonaro em 2014. Trata-se, no entanto, de uma montagem. O principal indicador da montagem é que o texto tem 257 caracteres e, em 2014, ano eleitoral em que Aécio Neves e Luiz Fernando Pezão eram candidatos, os tweets tinham limite máximo de 140 caracteres. Foi apenas a partir de 7 de novembro de 2017 que o Twitter aumentou o limite para 280 caracteres.

Além disso, utilizando a ferramenta de busca avançada do Twitter, Aos Fatos não encontrou a mensagem entre os tweets de Bolsonaro. Em 2014, Jair Bolsonaro publicou cinco tweets mencionado o nome de Aécio Neves, três com apoio explícito à candidatura do político mineiro à Presidência, inclusive com o convite para uma caminhada em Copacabana para apoiar a candidatura tucana. Aos Fatos não encontrou nenhum tweet em 2014 mencionando Pezão ou Sérgio Cabral.

Vale lembrar, no entanto, que Jair Bolsonaro, então no PP, fazia parte da coligação de Pezão quando foi eleito deputado federal em 2014. O PP inclusive indicou o vice da chapa de Pezão, Francisco Dornelles, que assumiu o cargo de governo após a prisão do emedebista. Além disso, Bolsonaro apoiou publicamente tanto a candidatura de Pezão, quanto a de Aécio Neves. Inclusive, na propaganda eleitoral na TV, Bolsonaro falava ao lado do nome de Pezão e Aécio Neves.

Em entrevista ao site SZRD, em 29 de outubro de 2014, Bolsonaro afirmou, sobre as eleições daquele ano: "Apoiei o Pezão e o Aécio Neves. O primeiro candidato por todos os conhecimentos dos problemas do Rio de Janeiro. O segundo por acreditar que deixaremos de ser democráticos, já que a didatura do proletariado é uma meta que até hoje contamina a esquerda brasileira".

Colaborou Luiz Fernando Menezes