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Wilson Dias/ABr

Três fatos sobre casos confirmados, distribuição e mortes de febre amarela

Por Ana Rita Cunha

23 de janeiro de 2018, 13h30


Os casos de febre amarela atingiram, em 2017, o maior número desde 1980, quando o Ministério da Saúde passou a controlar a série histórica. A proliferação da doença ocorreu principalmente no Sudeste, região de baixa ocorrência da doença.

Apresentamos aos leitores do Aos Fatos alguns dados importantes sobre letalidade, quantidade de casos confirmados e exposição à doença para entender a situação da disseminação da doença no país e evitar ainda mais alarmismo.


FATO 1

Casos de febre amarela em 2017 superaram a soma daqueles registrados desde 1980, mas são concentrados em regiões silvestres.

Foram confirmados 812 casos de febre amarela, com 281 óbitos, de dezembro de 2016 a 14 de janeiro de 2018, segundo a soma feita por Aos Fatos com base nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde em relação ao primeiro e ao segundo semestres de 2017. Esse número é superior à soma de todos os casos registrados em 36 anos. De 1980, quando começou a série histórica, até 2016, foram registrados 797 casos.

Os dados sobre os casos em 2017 são preliminares e sujeitos à revisão, segundo informou o Ministério da Saúde. O órgão também ainda não tem disponível os dados consolidados especificamente no período de janeiro a dezembro de 2017.

A febre amarela no Brasil apresenta uma ocorrência endêmica na região amazônica. Em 2017, no entanto, a doença se espalhou na região Sudeste, que concentrou 75% dos casos.

A maioria das ocorrências se concentrou no primeiro semestre, coincidindo com o período de maior proliferação da doença, de dezembro a maio. Nesse período foram registrados 777 casos e 261 mortes, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde em 5 de setembro de 2017.

Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado em 16 de janeiro, houve 470 notificações de febre amarela, de julho de 2017 a janeiro de 2018, sendo que 35 casos foram confirmados (20 resultaram em óbito) e 145 ainda estão sendo testados para verificar a presença do vírus.

Até o momento, só foram encontrados casos de febre amarela silvestre, ou seja, transmitida por mosquitos que vivem em áreas rurais ou próximo a florestas.


FATO 2

A taxa nacional de letalidade da doença ficou abaixo da média em 2017, enquanto a de Estados do Sudeste subiu.

Apesar do aumento recente nos casos, a taxa de letalidade da febre amarela, em 2017, ficou em 34,6%, abaixo da média histórica de 42,7%, segundo dados do Ministério da Saúde. O gráfico abaixo consta do relatório do ministério, porém o sistema de consulta pública do Sinan, que é o sistema de agravo de notificações do Sistema Único de Saúde, não tem os dados mais recentes disponíveis de maneira aberta.

Na região Sudeste, no entanto, a taxa de letalidade da febre amarela tem subido a despeito das metodologias de contagem diferentes das respectivas secretarias.

Segundo o boletim da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, com dados locais mais recentes do que os do Ministério da Saúde, entre janeiro de 2017 e 22 de janeiro de 2018, a febre amarela teve taxa de letalidade de 78,6%. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo não divulga dados consolidados anuais ou mensais, apenas os dados acumulados a partir do início do surto de febre amarela no Estado, em janeiro de 2017.

Em Minas Gerais, de julho de 2017 a 17 de janeiro de 2018, a taxa de letalidade ficou em 68,2%, segundo a Secretaria Estadual de Saúde mineira. A divulgação dos dados pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais segue o modelo do Ministério da Saúde e são divulgados apenas dados de períodos específicos, sem consolidação anual, segundo a assessoria de imprensa do órgão mineiro.

Desde o começo do ano até 22 de janeiro, o Rio de Janeiro registrou taxa de letalidade de 47%da febre amarela, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. O órgão não divulga dados consolidados — só de períodos aleatórios, de acordo com o aparecimento de novos casos. Levando em conta apenas os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2017, a taxa de letalidade no estado fluminense foi de 41,6%

No Espírito Santo, a taxa de letalidade em 2017 foi de 30,3%, de acordo com dados do Ministério da Saúde.


FATO 3

As regiões Sul e Nordeste ainda não registraram casos de febre amarela desde 2017.

A maior parte dos casos de febre amarela em 2017 foram registrados no Sudeste. Minas Gerais é o estado com mais ocorrências, tendo registrado 487 casos de febre amarela, 54,5% do total nacional, 167 óbitos e 46 casos ainda em investigação, segundo a Secretaria de Saúde do Estado. Em segundo lugar, está o Espírito Santo, 253 casos, 83 óbitos e 22 casos em investigação, seguido de São Paulo, onde foram confirmados 111 casos de febre amarela até janeiro desse ano, sendo 44 óbitos, além de 46 casos ainda sendo investigados.

Como as populações desses Estados são de tamanhos muito diferentes, a maior exposição à doença acaba sendo no Espírito Santo. No entanto, ainda longe das concentrações urbanas.

Nas regiões Norte foram confirmados 10 casos, com a maior ocorrência no Pará, que registrou sete casos confirmados de febre amarela, quatro óbitos e sete casos sob investigação. No Centro-Oeste, foram confirmados quatro casos da doença, com óbitos em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, e 11 estão sendo investigados.

No Nordeste e no Sul, em 2017, não houve nenhum caso confirmado, segundo os dados do Ministério da Saúde, mas 15 estão sendo testados para averiguar a presença do vírus da febre amarela.