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Tratamento de câncer por meio de ultrassom não foi importado por Bolsonaro

Por Luiz Fernando Menezes

20 de setembro de 2019, 09h46


É falso que o governo Bolsonaro importou para uso no SUS uma tecnologia que usa ultrassom de alta intensidade para destruir células cancerígenas, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Segundo o Ministério da Saúde, o chamado Hifu (ultrassom focalizado de alta intensidade, na sigla em inglês) não faz parte da tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde oferecidos à população.

Também não foi Jair Bolsonaro quem trouxe para o Brasil o equipamento que é usado nesse tratamento. Ele existe no país pelo menos desde 2011, quando o Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) recebeu um aparelho que, inclusive, é o que aparece na foto usada na peça de desinformação.

Até a tarde desta quinta-feira (19), a informação falsa já foi compartilhada mais de 1.500 vezes no Facebook, onde foi denunciada por usuários. As publicações foram marcadas como FALSAS na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Chega ao Brasil ultrassom que destrói células cancerígenas sem cirurgias. E o melhor, pelo SUS. Obrigado Bolsonaro, obrigado Israel.

Uma publicação que circula nas redes sociais afirma que, graças ao presidente Jair Bolsonaro e a Israel, chegou ao SUS (Sistema Único de Saúde) um ultrassom que destrói células cancerígenas sem cirurgias. No entanto, a tecnologia Hifu (ultrassom focalizado de alta intensidade), que usa ultrassom para destruir tumores, além de estar disponível no Brasil desde 2011, não faz parte dos procedimentos oferecidos pelo SUS.

Em nota enviada ao Aos Fatos, o Ministério da Saúde informou que o Hifu não está contemplado na Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais do SUS. Ou seja, o tecnologia não está disponível entre os tratamentos obrigatórios na rede pública de saúde.

O equipamento usado no tratamento, no entanto, existe em hospitais públicos como o Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), que o recebeu em 2011, e o Centro de Referência em Saúde do Homem, também na cidade de São Paulo, que o adquiriu em 2017.

A foto usada nas publicações nas redes sociais, inclusive, é a mesma publicada pelo site G1 em reportagem de abril de 2011 sobre a chegada do equipamento, que é, de fato, israelense ao Icesp.

O tratamento. Chamado de Hifu (High Intensity Focused Ultrasound) usa ultrassom de alta intensidade para produzir ondas de calor e, assim, destruir tumores. A tecnologia é utilizada principalmente para o tratamento de tumores de próstata.

Segundo Volney Soares Lima, porta-voz da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), em entrevista ao Aos Fatos, o Hifu é um tratamento indicado apenas para casos específicos, como tumores localizados e que estejam em estado inicial.

A técnica foi desenvolvida em 1991, na França, mas só passou a ser utilizada nos anos 2000. No Brasil, a Anvisa aprovou este tipo de tratamento em 2008. Por ser uma tecnologia cara (cada aparelho pode custar cerca de R$ 4,5 milhões), a implementação em todo o SUS ainda não é viável.

Referências:

1. G1
2. Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo
3. Cancer.org
4. Folha de S.Paulo