Aos Fatos

Texto viral tem dados falsos sobre cargos criados no BB em governos petistas

Por Luiz Fernando Menezes

18 de janeiro de 2019, 15h48


Não é verdade que dezenas de cargos de livre nomeação foram criados na cúpula do BB (Banco do Brasil) durante os governos do PT para abrigar militantes do partido que não eram funcionários concursados da instituição. As informações falsas constam de um texto que vem circulando nas redes sociais desde a revelação de que o filho do vice-presidente Hamilton Mourão fora indicado para uma assessoria da presidência do banco.

Relatórios de atividades e demonstrações contábeis do BB consultados por Aos Fatos, além da assessoria do banco, desmentem a maioria das afirmações do texto. Por exemplo, os dados citados pela peça de desinformação correspondem ao organograma atual da instituição, não ao número de cargos de cúpula criados pelos governos petistas. À exceção das vice-presidências, as demais posições citadas só podem ser ocupadas por funcionários concursados do banco.

No Facebook, o texto tem sido disseminado por dezenas de publicações — uma delas com mais de 30 mil compartilhamentos. Publicações que reproduzem o conteúdo enganoso foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

O PT criou 9 vice presidências com salários de R$ 61,5 mil. 27 diretorias com salários de R$ 47,7 mil. 11 cargos de gerente geral com salários de R$ 47,7 mil. Cada gerente geral e diretor indicam 4 gerentes executivos com salários de R$ 36,3 mil. Cada gerente executivo indica 4 gerentes de soluções com salários de R$ 24 mil. Todos de livre nomeação, sem concurso público, para abrigar seus “competentes” militantes.

Confira ponto a ponto o que checamos sobre o texto acima:

1

O número de cargos citados na peça corresponde ao organograma atual do Banco do Brasil, e não ao total de posições criadas pelos governos do PT;

2

Entre 2003 e 2016, período que o PT governou, foram criadas duas novas vice-presidências e 11 diretorias, como mostra a evolução dos organogramas descritos nos relatórios anuais de atividades do BB; o número de gerências variou entre oito e onze no período;

3

À exceção das nove vice-presidências, os demais cargos citados no texto só podem ser ocupados por funcionários concursados do BB, como prevê o Estatuto Social do Banco do Brasil;

4

Além disso, de acordo com o Regimento Interno da Diretoria Executiva, o cargo de diretor é privativo de empregados da ativa do BB;

5

O Banco do Brasil também informou ao Aos Fatos, em nota, que os cargos de gerente executivo e gerente de soluções não são de livre nomeação. De acordo com a assessoria da instituição, os ocupantes de tais vagas passam por processo interno de avaliação e promoção, “baseados em meritocracia e critérios transparentes”;

6

Por outro lado, os salários citados condizem com a remuneração apresentada nas Demonstrações Contábeis do BB, bem como é verdadeira a informação referente à quantidade de indicações de gerentes, segundo a assessoria do BB;

7

O texto reproduz, de maneira distorcida, informações sobre cargos no BB publicadas em uma reportagem do Estadão de novembro de 2018.