Aos Fatos

Site e posts distorcem dados sobre gastos de Bolsonaro com cartão corporativo

Por Luiz Fernando Menezes

7 de agosto de 2019, 12h17


É distorcida a informação que Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro gastaram R$ 6,1 milhões com o cartão de crédito corporativo em sete meses de mandato, como afirma publicação do site Plantão Brasil (veja aqui) e postagens nas redes sociais. Segundo o Portal da Transparência, a despesa da Presidência com o cartão chegou a R$ 6,2 milhões até junho, último dado disponível, mas essa cifra inclui não só gastos do presidente e da primeira-dama, mas também da Secretaria de Administração, da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), da vice-presidência, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação).

Publicações que reproduzem a distorção já reúnem ao menos 11,5 mil compartilhamentos no Facebook. Todas foram marcadas com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


DISTORCIDO

Michelle e Jair Bolsonaro gastaram R$ 6,1 milhões com cartão de crédito presidencial em 7 meses e colocam sigilo nos gastos.

Apesar de os dados de julho ainda não estarem disponíveis, o valor gasto sob a rubrica da Presidência em cartões de crédito corporativo até junho é próximo ao citado pelas publicações checadas, de R$ 6,2 milhões. No entanto, a informação veiculada em posts no Facebook e no site Plantão Brasil é distorcida, pois a cifra não inclui apenas despesas do presidente e de sua mulher, mas também de outros órgãos vinculados ao Palácio do Planalto, como o GSI e a Abin.

Os dados apresentados pela coluna do jornalista Lúcio Vaz na Gazeta do Povo sobre gastos com o CPGF (Cartão de Pagamento do Governo Federal) pela Presidência na gestão Bolsonaro foram distorcidos ao serem reproduzidos em outros sites e posts nas redes sociais.

Na organização das contas públicas, sob o guarda-chuva de gastos da Presidência da República está a Secretaria de Administração, que abarca, entre outras despesas, os gastos diretos de Bolsonaro, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que tem entre atribuições a segurança do presidente, e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Somam-se ainda gastos efetuados por outros órgãos vinculados ao Planalto: o gabinete da vice-presidência, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e o ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação).

Dos R$ 6,2 milhões gastos em cartões corporativos nos seis primeiros meses na categoria Presidência da República, segundo o Portal da Transparência, as maiores despesas registradas são da Secretaria de Administração (R$ 3,253 milhões), da Abin (R$ 2,088 milhões) e do GSI (R$ 534 mil). A vice-presidência efetuou gastos de R$ 261 mil, a EBC, de R$ 43 mil, e o ITI, R$ 30 mil.

Outra informação que a publicação do Plantão Brasil traz a partir da coluna de Lúcio Vaz é sobre o sigilo dos gastos das atividades do presidente, o que é verdade, como pode ser conferido no Portal da Transparência. Colocar os gastos de cartão corporativo em sigilo é opcional e pode ocorre sempre que a divulgação dessa informação "implique risco ou dano aos interesses da sociedade e do Estado", de acordo com o decreto nº 7.845 de 2012.

Segundo a Secretaria de Administração da Presidência, em nota enviada a Vaz, as informações que puderem colocar em risco a segurança do presidente, vice-presidente e seus familiares ficarão sob sigilo até o final do mandato. Procurado por Aos Fatos nesta quarta-feira (7), o Palácio do Planalto não respondeu até a publicação desta checagem.

O CPGF é um cartão utilizado pelo governo como meio de pagamento e que possui similaridades com o cartão de crédito. Segundo o Portal da Transparência, o cartão corporativo pode ser utilizado para atender despesas eventuais e de pequeno valor que exigem pronto pagamento. São exemplos os gastos com alimentação, combustível, medicamentos e até materiais de construção.

Outro lado. Aos Fatos entrou em contato com o site Plantão Brasil, que veiculou a informação distorcida, mas não obteve resposta até a publicação desta checagem, no início da tarde desta quarta-feira (7).

Referências:

1. Portal da Transparência (Fontes 1 e 2)
2. Gazeta do Povo

Colaborou Ana Rita Cunha