Aos Fatos

PT não defende estatizar rádios e emissoras de TV religiosas

Por Alexandre Aragão

29 de agosto de 2018, 17h59


Três textos publicados em sites de orientação católica dando conta de que o PT planeja estatizar rádios e emissoras de TV religiosas distorcem informações e as tiram de contexto, de modo a difundir uma versão enganosa dos fatos.

As publicações retiram trechos de um documento produzido pela tendência Esquerda Marxista, que deixou o PT em 2015, e atribuem os posicionamento ao partido como um todo, distorcendo a informação.

Denunciada por usuários do Facebook, a publicação foi marcada com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação disponibilizada pela rede social (entenda como funciona).

Confira, abaixo, em detalhes, o que Aos Fatos checou.


DISTORCIDO

PT defende estatização da Canção Nova, TV Aparecida e outras emissoras religiosas

Os textos dos sites católicos citam um trecho do caderno de teses do 5º Congresso Nacional do PT, que aconteceu em abril de 2015, em Salvador, a fim de sustentar que o partido defende a estatização de emissoras religiosas.

O trecho diz: “Estatizar a Rede Globo, que é concessão pública e abri-la para os movimentos sociais! (…) Estatizar todas as redes, TVs e rádios religiosas, de qualquer confissão. O Estado é laico e os serviços públicos devem ser laicos e democráticos”.

Esse documento, porém, representa a visão de apenas uma das sete tendências internas do PT que publicaram suas teses, a Esquerda Marxista, que anunciou a saída do partido naquele mesmo ano para entrar no PSOL.

Ao final daquele congresso, o PT divulgou a Carta de Salvador, documento em que mostra as resoluções aprovadas por todo o partido. Em apenas um trecho é citada “a democratização dos meios de comunicação”, que, segundo o documento, deveria ter sido uma “tarefa prioritária” dos governos petistas. A carta, porém, não detalha como seria feita essa “democratização” e não cita as teses da Esquerda Marxista.

No Facebook, a informação distorcida foi compartilhada mais de 600 vezes em uma página chamada Paraclitus, 653 no site CatólicaConect e outras 312 vezes na página Nossa Senhora Cuida de Mim. Os links são para os sites Filhos de Deus.blog, CatólicaConect e Nossa Senhora cuida de mim.

A informação distorcida circula desde 2015 e, de tempos em tempos, ressurge em novas fontes. Na época, um texto do colunista Vanderlúcio Souza, no site do jornal O Povo, do Ceará, foi publicado exatamente com o título distorcido: “PT defende estatização da Canção Nova, TV Aparecida e outras emissoras religiosas”.

Depois, o título foi atualizado para deixar claro que se tratava de uma tese em discussão, não de um posicionamento do partido: “Tese do PT defende estatização da Canção Nova, TV Aparecida e outras emissoras religiosas”.

Aos Fatos entrou em contato com o PT. Esta checagem será atualizada caso haja resposta.