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Prefeitura do Rio não confirmou que água da Cedae foi contaminada por esgoto

Por Amanda Ribeiro

23 de janeiro de 2020, 17h55


Publicação que circula nas redes sociais engana ao sugerir que a Prefeitura do Rio teria confirmado que a água fornecida pela Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto) na cidade estaria contaminada por esgoto (veja aqui). Sites e perfis que reproduzem esta desinformação distorcem uma ocorrência pontual registrada na quarta-feira (22), em que técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente descobriram um vazamento de esgoto da Cedae que atingiu um rio na zona sul da cidade que não faz parte da rede de abastecimento.

A informação falsa foi disseminada inicialmente pelo site Bangu Ao Vivo (que posteriormente corrigiu o conteúdo) e se espalhou em uma série de publicações em perfis pessoais no Facebook, totalizando ao menos 11.000 compartilhamentos até a tarde desta quinta-feira (23). Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Prefeitura confirma que água da Cedae está contaminada com esgoto

A Prefeitura do Rio de Janeiro não confirmou que a água distribuída pela Cedae está contaminada por um foco de esgoto como afirmam publicações que circulam nas redes sociais. A informação falsa foi desmentida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em e-mail ao Aos Fatos. O órgão informou ainda que não é responsável pelo controle da qualidade da água potável, uma atribuição da Cedae.

A peça de desinformação distorce um comunicado divulgado pelo órgão municipal sobre uma inspeção da Prefeitura nesta quarta-feira (22) que identificou vazamento de esgoto em uma rua do Horto, na zona sul, que atingiu a rede pluvial e o Rio dos Macacos. O curso d’água, porém, não abastece os reservatórios da Cedae. Pela infração, a companhia pública foi multada pela prefeitura em R$ 30 mil.

Situação atual. Desde o início do ano, moradores do Rio de Janeiro têm reclamado da qualidade da água fornecida pela Cedae, que estaria com gosto de terra, coloração barrenta ou aspecto sujo. As queixas já partiram de seis cidades do estado e de 86 bairros da capital, conforme levantamento do jornal O Globo.

No dia 7 de janeiro, a Cedae emitiu uma nota afirmando que encontrou em amostras de água a presença da substância orgânica geosmina, que, segundo a companhia, não é prejudicial à saúde. O último comunicado sobre o assunto foi publicado no dia 9 e atesta que a água estaria própria para consumo a partir de uma série de testes realizados. Ainda assim, a Cedae disse que aplicará carvão ativado pulverizado no início do tratamento para reter a geosmina.

Especialistas, no entanto, contestaram as informações apresentadas pela companhia, conforme já relatado por Aos Fatos em checagem anterior. O professor de microbiologia da UFRJ Marco Miguel, por exemplo, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo que quando a água tiver cheiro forte de terra, turbidez ou coloração alterada, é recomendado tomar apenas água mineral.

No dia 13, representantes do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) vistoriaram reservatórios da Cedae e coletaram amostras da água. O órgão também pediu na Justiça que a Cedae apresente laudos que comprovem a qualidade da água no Rio.

Referências:

1. Prefeitura do Rio
2. O Globo (Fontes 1 e 2)
3. Cedae (Fontes 1 e 2)
4. Aos Fatos
5. Folha de S.Paulo
6. Ministério Público do Rio de Janeiro

*Esta reportagem foi atualizada às 17h25 do dia 24 de janeiro de 2020 para acrescentar a informação de que o site Bangu Ao Vivo corrigiu sua publicação após contato com o Aos Fatos. A marcação feita na ferramenta do Facebook foi removida.