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PMs em foto com Flávio e Jair Bolsonaro não são os milicianos suspeitos da morte de Marielle

Por Luiz Fernando Menezes

24 de janeiro de 2019, 14h18


Os policiais militares que aparecem em foto ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em uma festa de aniversário não são os mesmos acusados de integrar a milícia Escritório do Crime e suspeitos de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). Na realidade, os PMs na imagem foram presos no ano passado por integrarem, com outros policiais, uma quadrilha que praticava extorsão.

Publicações nas redes sociais (veja exemplos aqui e aqui) tem disseminado a informação distorcida desde que a Operação Intocáveis, deflagrada no Rio nesta terça-feira (22), sugeriu elo entre os milicianos e o assassinato da parlamentar. Porém, o crimes cometidos pelos PMs da foto e pelos milicianos que foram presos esta semana não têm relação aparente, ainda que ambos tenham vínculos com os Bolsonaro. A foto é verdadeira e foi publicada em 2017 no Instagram de Flávio Bolsonaro.

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DISTORCIDO

Sabe os milicianos que foram presos? Olha só quem estava na festa de aniversário deles

Após a revelação de vínculos entre Flávio Bolsonaro e os milicianos acusados de participação na morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL — um dos suspeitos foi homenageado por Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e duas parentes dele foram empregadas no gabinete do deputado —, uma foto começou a circular nas redes sociais sugerindo uma relação ainda mais próxima do senador eleito com os integrantes do Escritório do Crime. Mas isso é informação distorcida.

Na imagem, Flávio e seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), posam com três homens e uma mulher numa festa de aniversário. A foto é verdadeira, foi compartilhada em 2017 no perfil oficial do senador eleito no Instagram e não tem a ver com os milicianos do Escritório do Crime, mas com policiais que foram presos no ano passado.

Dois dos homens que estão ao lado de Flávio e Jair na foto são os PMs, e irmãos gêmeos, Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, que, em agosto de 2018, foram detidos na Operação Quarto Elemento, do MP RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Eles são acusados de integrar uma quadrilha de policiais especializada em extorsões.

De acordo com trecho da denúncia oferecida à Justiça pelo MP, eles “estavam reunidos em torno de um objetivo comum: identificar possíveis infratores da lei, seu potencial econômico e realizar batidas policiais contra eles, sempre com a intenção de flagrá-los cometendo crimes ou irregularidades administrativas”. Depois, segundo o Ministério Público, os PMs exigiam dinheiro para evitar prisão ou apreensão de bens e mercadorias.

Além dos gêmeos, a operação também decretou prisão de outros 44 suspeitos de organização criminosa, corrupção, extorsão, concussão, peculato e outros crimes. Os PMs que aparecem na foto com os Bolsonaro foram investigados por serem sócios de um loteamento irregular e de integrar, financiar e promover essa organização criminosa.

Na época, Flávio negou vínculos com os policiais, dizendo que eles eram apenas irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, uma de suas assessoras no gabinete de deputado estadual do Rio: “O Alan e o Alex não têm nada a ver comigo, são simpatizantes [da minha campanha]”. Porém, outros três policiais que também tiveram prisão decretada neste caso já haviam sido homenageados por ele na Assembleia Legislativa.

Milícia. Já nesta terça-feira (22), cinco homens suspeitos de integrar o grupo miliciano Escritório do Crime foram presos em operação do MPRJ e da Polícia Civil do Rio. Eles também seriam suspeitos de envolvimento no assassinato de Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, de acordo com reportagem do jornal O Globo.

A suspeita de que ao menos um dos cinco presos esteja envolvido no crime foi atestada pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), mas o MPRJ e a Polícia Civil não confirmaram a participação deles no assassinato da vereadora.

Flávio Bolsonaro foi vinculado a este caso quando a imprensa noticiou que ele contratou em seu gabinete na Alerj a mãe e a esposa de um dos milicianos do Escritório do Crime que está foragido, Adriano da Nóbrega. No relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre as movimentações suspeitas do ex-assessor Fabrício Queiroz, inclusive, há um depósito no valor de R$ 4.600 feito por Raimunda, a mãe do miliciano.

Além disso, em 2003, Flávio Bolsonaro homenageou Nóbrega por sua “dedicação, brilhantismo e galhardia”.