Aos Fatos

ONU não previu implantação de chips em toda a humanidade até 2030

Por Amanda Ribeiro

14 de junho de 2019, 17h21


Não é verdade que a ONU (Organização das Nações Unidas) previu que, até 2030, chips de identificação biométrica serão implantados em toda a humanidade e que as pessoas que se recusarem serão excluídas socialmente. Segundo a notícia falsa (veja aqui), o plano estaria registrado na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, lançada pela organização em 2015. Porém, Aos Fatos constatou que não há nada relacionado a isso entre os tópicos do documento.

Esta desinformação não é nova. Ela circula desde 2015, quando foi publicada pela primeira vez no site religioso norte-americano Prophecy News Watch. Na ocasião, a informação falsa foi logo importada para o Brasil, onde foram acrescidas mais inverdades, como a de que a ex-presidente Dilma Rousseff estaria envolvida nos planos da ONU.

Desta vez, voltou a circular uma versão da notícia falsa veiculada pelo site Sempre Questione, que já teve outros conteúdos checados como enganosos por Aos Fatos, e já reúne cerca de 200 mil compartilhamentos no Facebook. Todas as postagens com este conteúdo foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (entenda como funciona).

Confira abaixo, em detalhes, o que verificamos.


FALSO

ONU prevê que toda a humanidade seja chipada até 2030 e quem recusar será ‘excluído da sociedade’

Não está prevista na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU a identificação biométrica de toda a humanidade. A notícia, que voltou a se espalhar nas redes, foi publicada inicialmente em 2015 pelo Prophecy News Watch, um site religioso americano, que afirmou que a meta 16.9 do relatório, que prevê “fornecer identidade legal para todos, incluindo o registro de nascimento”, seria, na verdade, uma tentativa de coletar dados de toda a população mundial, o que não procede.

Em nenhum ponto do texto, a ONU afirma o plano descrito pelo site. O que há é a meta para que todos tenham documento de identificação (caso do RG no Brasil, por exemplo) e certidão de nascimento que comprovem dados legais. Tais dados não seriam armazenados em Genebra, como sugere a peça de desinformação.

A publicação do site Sempre Questione também cita texto do site Find Biometrics, que agrega informações da indústria da biometria. Segundo o portal, também em 2015, a ONU havia escolhido empresa que a auxiliaria no projeto de fornecer identificação biométrica a refugiados. O objetivo era garantir que estes não tivessem sua documentação perdida, registrada mais de uma vez ou falsificada.

Por fim, a última informação falsa fornecida pelo texto é que pessoas que não se submetessem à nova forma de identificação não poderiam “conseguir empregos, abrir contas bancárias, tirar cartões de crédito, se qualificar para hipotecas ou receber qualquer forma de pagamento do governo”. Ao observar o texto original, do Prophecy News Watch, percebe-se que isso seriam previsões do autor, sem lastro em fontes confiáveis.

Procurada por Aos Fatos por meio de mensagem nas redes sociais, a página Sempre Questione não retornou até a publicação desta checagem nesta sexta-feira (14).

Referências:

1. Aos Fatos
2. ONU: Fontes 1 e 2
3. Find Biometrics