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OEA não fez reunião secreta com PT, não é comandada por venezuelanos nem fiscalizará eleições

Por Luiz Fernando Menezes

27 de outubro de 2018, 13h55


Publicações nas redes sociais estão distorcendo a reunião realizada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) com o PT para sugerir que houve um acordo para fraudar as eleições no próximo domingo. As postagens compartilham as fotos da equipe da organização com a chapa petista ou a que Fernando Haddad (PT) cumprimenta a chefe da missão que apareceram em veículos de imprensa.

As fotos foram publicadas acompanhadas de diversas mensagens que sugeriam que o encontro tivesse sido escondido, que a OEA iria fiscalizar as eleições, que havia sido feita a negociação de uma fraude no segundo turno ou que a equipe era chefiada por uma venezuelana. Na verdade, a reunião sempre foi divulgada, teve como objetivo a apresentação de denúncias por parte do PT e a organização tentou se encontrar também com o PSL.

O e-Farsas verificou uma das histórias falsas.

O conteúdo já foi compartilhado cerca de 35 mil vezes por perfis pessoais e páginas como o Movimento Avança Brasil. Denunciado por usuários, o conteúdo foi marcado por Aos Fatos com o selo DISTORCIDO na ferramenta de checagem (entenda como funciona).


DISTORCIDO

Qual teria sido o acordo selado entre OEA e PT que não foi selado com a campanha de Jair Bolsonaro?

Duas fotos da reunião do PT com a equipe da OEA que está no Brasil em missão de observação eleitoral estão sendo distribuídas nas redes sociais sugerindo que fosse um registro de um acordo de fraude eleitoral. Algumas postagens dizem que essa reunião era secreta e pretendia firmar um acordo para fraudar as eleições. Outras imagens afirmam que a organização fiscalizará a votação do segundo turno e algumas até dizem que a equipe é venezuelana. Nada disso é verdade: além de ter sido noticiada por veículos como Estadão, Folha de S.Paulo e Jornal Nacional, a reunião tinha o objetivo de apresentar denúncias de fake news e violência política. A OEA também tentou agendar uma reunião com o PSL, mas ainda não conseguiu.

Na reunião, que aconteceu na tarde da última quinta-feira (25), Haddad entregou à equipe um conjunto de denúncias com temas de violência política, conteúdo falso, funcionamento da urna eletrônica e financiamento de campanha eleitoral. A OEA disse que vai acompanhar as denúncias, mas que não encontrou nenhuma irregularidade no primeiro turno.

Esta vai ser a primeira vez que a OEA irá observar as eleições brasileiras, mas esse tipo de missão é realizada pela organização desde 1962. O convite foi feito pelo governo brasileiro em setembro de 2017. A equipe é chefiada pela ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla, que já realizou missões de observação eleitoral no México, Paraguai e nos Estados Unidos, quando Trump foi eleito.

A equipe da OEA têm como objetivo de analisar o ciclo eleitoral, como financiamento de campanhas, liberdade de imprensa e participação política de minorias. Ela, portanto, não tem finalidade de julgar a legitimidade de uma eleição. Após o processo eleitoral, o grupo da OEA deverá apresentar relatório com conclusões e recomendações ao Brasil e ao Conselho Permanente da organização.

Segundo a Exame, a OEA já procurou o PSL para que pudessem ter uma reunião sobre o segundo turno das eleições, mas ainda não conseguiram realizá-la. Aos Fatos entrou em contato com a assessoria da entidade, mas ainda não obteve retorno.

Essa não é a única polêmica em relação à reunião. Após o encontro, Chinchilla disse, em entrevista, que a divulgação de notícias falsas por WhatsApp nas eleições brasileiras é um “fenômeno sem precedentes”. A declaração irritou Gustavo Bebianno, presidente do PSL, que disse que provavelmente ela se referia ao PT, uma vez que “nós não produzimos fake news”. Bebianno também disse que “a OEA tem zero credibilidade para a gente” porque “a OEA, assim como a ONU, tem um viés globalista, esquerdista”.

Não é só a OEA que é alvo de boatos em relação a fraudes nas eleições. O próprio candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro já sugeriu que a Unasul (União das Nações Sul-Americanas), outra organização que observa eleições, teria planejado uma fraude por meio do voto eletrônico com a ex-presidente Dilma Rousseff.