Aos Fatos

Dano potencial da barragem elevava risco associado à estrutura em Brumadinho

Por Tai Nalon

25 de janeiro de 2019, 16h15


Uma barragem da Vale se rompeu na tarde desta sexta-feira (25) em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Aos Fatos checou e reuniu nesta reportagem o que é fato sobre o ocorrido.

Veja, abaixo, o que já conferimos a respeito do desastre.


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A barragem I, que se rompeu na tarde desta sexta-feira, era classificada como uma estrutura de risco baixo de rompimento nos últimos relatórios oficiais do governo federal e de nível alto de potencial de dano. Conforme o Relatório de Segurança de Barragens 2017, publicação mais recente sobre o estado das barragens brasileiras, e documento de 2016 do Departamento Nacional de Produção Mineral, trata-se de uma estrutura de contenção de minério de ferro que estava inativa, como confirmou o Corpo de Bombeiros local à GloboNews. Os bombeiros também informaram que outras duas contenções foram rompidas por consequência do incidente na barragem I. A fiscalização dessas estruturas é feita pela Agência Nacional de Mineração.


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Conforme o monitoramento do governo, as barragens recebem uma classificação de A até E pela relação entre combinação de risco de rompimento e dano potencial associado. Isso significa que uma barragem com baixo risco e baixo dano associado recebe a nota E, enquanto que uma com alto risco e alto dano recebe A.

A barragem de Brumadinho tem nível B de risco associado, isto é, o segundo nível mais alto. O potencial de dano é classificado pelo governo como alto, embora o risco da estrutura seja descrito como baixo.

Em novembro de 2015, Aos Fatos revelou que o país tinha 29 barragens de mineração em situação mais precária que a de Mariana (MG), que rompeu-se naquele mesmo mês.


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A Vale mantém no município sete barragens, todas de contenção de rejeitos de mineração. Todas também são monitoradas pela Política Nacional de Segurança de Barragens e que possuíam, segundo informações colhidas pela ANA (Agência Nacional de Águas) a partir de dados enviados pela Agência Nacional de Mineração, risco baixo e potencial de risco variados.

Segundo a mineradora, "As primeira informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local".


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Sozinho, o município de Brumadinho tem 26 barragens monitoradas pelo governo federal, das quais 11 não têm informações sobre nível de risco. A informação consta do Relatório de Segurança de Barragens 2017. Dessas 11, apenas uma, segundo o documento, tem um plano de segurança. Trata-se também da única que é efetivamente monitorada pela Política Nacional de Segurança de Barragens.


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Outras quatro barragens da Vale em Brumadinho, além da barragem rompida nesta sexta-feira, têm dano potencial associado alto. São elas I, IV, IV-A e Menezes II. A informação é do Relatório de Segurança de Barragens 2017.


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A ANA (Agência Nacional de Águas) informou, em nota, que, na consolidação do Relatório de Segurança de Barragens 2017, a I de Brumadinho não foi classificada como em situação crítica pela ANM (Agência Nacional de Mineração), uma das consultadas para a elaboração do documento. O órgão regulador ressaltou que a ANM é a responsável pelas informações sobre as barragens de rejeito de minério que constam do relatório.


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Dois vídeos, um de acidente nas obras de uma hidrelétrica em Mato Grosso e outro do rompimento de uma barragem em Laos, têm sido atribuídos falsamente nas redes sociais ao incidente na estrutra da Vale em Brumadinho. Leia mais detalhes aqui.


Procurada por Aos Fatos através de WhatsApp e e-mail para confirmar as informações que constam do documento do governo, a assessoria da Vale ainda não tinha retornado até a última atualização desta reportagem.

A reportagem foi alterada às 17h45 de 26 de janeiro de 2019 para corrigir o nome da barragem rompida. Trata-se da barragem I, e não VI. Os demais dados, entretanto, permanecem corretos e não sofreram alteração.