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O que de fato há de errado entre os 'ganhadores' do prêmio 'fake news' de Trump

20 de janeiro de 2018, 01h00


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou nesta semana uma lista de publicações que receberam o "Prêmio Fake News". O objetivo era retrucar veículos que publicaram reportagens e artigos críticos à sua gestão.

Por conta disso, a coluna Fact Checker do jornal americano Washington Post checou se os "vencedores" do prêmio de fato cometeram informações falsas em seus textos. Por meio da parceria com a International Fact-Checking Network, da qual o jornal faz parte e Aos Fatos também, traduzimos os resultados e verificamos que a maior parte dos "ganhadores" não publicou erros intencionalmente — ao contrário: ao perceber as incorreções, as corrigiu. Desse modo, a fabricação intencional de desinformação em formato de notícia — o que chamamos de fake news — não é um termo preciso para classificar as falhas apontadas por Trump.

Veja, abaixo, alguns exemplos.


O articulista do The New York Times Paul Krugman disse, no dia histórico da eleição do presidente Trump, que a economia jamais se recuperaria.

Krugman é um colunista. Por isso, é um pouco estranho dizer que uma opinião é uma notícia falsa. Opinião não é notícia. Krugman disse: “Estamos possivelmente olhando para uma recessão global sem perspectiva de acabar. Supinho que poderíamos ter sorte, mas, para a economia, assim como para todo o restante, algo terrível acabou de acontecer".

O problema é que, de fato, sua previsão estava errada, de modo que teria ficado bastante desabonador para ele. Porém, três dias depois de publicar essa avaliação, ele se retratou. “É até possível que deficits orçamentários maiores fortaleçam a economia brevemente” , escreveu.


CNN informou FALSAMENTE que o candidato Donald Trump e seu filho Donald J. Trump, Jr. tiveram acesso a documentos hackeados pelo WikiLeaks.

Este é um caso em que outros veículos jornalísticos — The Washington Post, The Wall Street Journal e NBC News — rapidamente demonstraram que a CNN errou. O que aconteceu foi que o remetente do e-mail em questão estava avisando os Trumps sobre documentos que já eram públicos.

“Os novos detalhes parecem mostrar que o remetente estava se baseando em informações já públicas”, admitiu a CNN. “Essa nova informação indica que a comunicação entre eles é menos relevante do que a CNN inicialmente informou.”


O jornal Washington Post FALSAMENTE informou que um comício lotado em Pensacola, na Flórida, estava vazio. O desonesto repórter publicou uma foto da área vazia HORAS antes de a multidão começar a chegar.

A informação constava de um tweet do jornalista em questão, e não de uma reportagem. Da mesma maneira que nos casos anteriores a este, a informação errada foi rapidamente corrigida, em questão de minutos. O único material jornalístico gerado pelo assunto foi uma matéria do Washington Post dizendo que o repórter pedia desculpas pelo ocorrido.


CNN FALSAMENTE acusou [o ex-assessor na Casa Branca] Anthony Scaramucci de ter se encontrado com um suspeito russo, mas voltou atrás devido a 'falhas significativas’.

Outro caso em que um erro de reportagem teve consequências: a CNN divulgou uma correção e três de seus empregados, incluindo um vencedor do prêmio Pulitzer, foram demitidos.


Newsweek FALSAMENTE informou que a primeira dama polonesa, Agata Kornhauser-Duda, não apertou a mão do presidente Trump.

A revista Newsweek baseou sua apuração num breve resumo do encontro. Na ocasião, Kornhauser-Duda parece ter passado direto por Trump de mãos estendidas sem cumprimentá-lo, com o objetivo de apertar, em vez disso, a mão da primeira dama Melania Trump. Porém, quando a íntegra das imagens foi publicada, havia o registro do aperto de mãos com o presidente. A revista, então, corrigiu a reportagem. (A revista Vanity Fair também cometeu o mesmo erro.)


A CNN FALSAMENTE reportou que o ex-diretor do FBI James Comey divergiria da versão do presidente Trump de que ele foi informado que não estava sob investigação.

Sim, a CNN veiculou essa história errada. A matéria foi também corrigida quando a emissora percebeu o erro: “A matéria e seu título foram corrigidos para noticiar que Comey na verdade não diverge diretamente da versão de que Trump foi informado diversas vezes de que não estava sob investigação”.


O New York Times FALSAMENTE afirmou em sua capa que a administração Trump ocultou um relatório sobre o clima.

Este foi certamente um deslize, porque o relatório já era público havia sete meses. O erro foi parcialmente reconhecido pelo jornal, que adicionou uma correção e a seguinte nota: o relatório “foi publicado por uma biblioteca digital sem fins lucrativos em janeiro, mas não recebeu muita atenção até ter sido publicado pelo The New York Times”. Essa afirmação, contudo, também não estava totalmente correta, uma vez que o Washington Post já tinha escrito a respeito disso meses antes — apenas não em sua capa.


E, por último, mas não menos importante: “CONLUIO COM A RÚSSIA!”. O conluio russo é talvez o maior embuste empreendido contra o povo americano. NÃO HÁ CONLUIO!

O conselheiro especial Robert S. Mueller III, indicado para a administração Trump, empreende uma investigação para saber se há ou não conluio com a Rússia para fraudar as eleições americanas, da mesma maneira que os comitês do Congresso com maioria republicana também apuram o caso.


Leia a íntegra das checagens do Fact Checker (em inglês).