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Alan Santos/PR

Michel Temer não vai apresentar carta de renúncia; notícia é falsa

Por Bernardo Moura

28 de maio de 2018, 13h54


Fique atento caso você se depare com a manchete "Urgente! Presidente Temer pode apresentar carta renúncia", pois a informação é falsa. O conteúdo, publicado pelo site Jornal do País, começou a circular nas redes sociais no fim de semana, durante o impasse nas negociações entre o Palácio do Planalto e os caminhoneiros em greve. A postagem foi marcada por Aos Fatos como enganosa na ferramenta do Facebook que verifica notícias falsas (entenda como funciona). Abaixo, o que checamos:


FALSO

Urgente! Presidente Temer pode apresentar carta renúncia

Ao dizer que o presidente Temer poderia renunciar, o texto do Jornal do País pegou carona em especulações surgidas nas redes sociais, principalmente no WhatsApp, sobre o pronunciamento do emedebista em razão de acordo para encerrar a greve dos caminhoneiros -- o que de fato foi veiculado na TV na noite deste domingo (27), mas não tratou de renúncia ao cargo.

Questionada a respeito do conteúdo da postagem, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República respondeu nesta segunda-feira (28) à reportagem de Aos Fatos: "a informação é absurda, carece de qualquer fundamento".

Além de não contar com o posicionamento oficial do governo, a postagem do Jornal do País oferece ainda uma série de indícios que atestam se tratar de uma notícia falsa, tais como: ausência de autoria; informações vagas e truncadas sem fonte identificável; e alarmismo no título e no texto, como o uso do "urgente" em letras maiúsculas. Ao fim, o texto ainda aponta como fonte das informações um blog chamado Brasil Decide, mas Aos Fatos não encontrou por lá qualquer menção a uma suposta renúncia de Temer.

Em pronunciamento na noite deste domingo, o presidente Michel Temer anunciou medidas a serem implantadas como parte de acordo para encerrar a paralisação do setor de transporte de cargas. Entre as ações anunciadas está a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias. Após esse prazo, os reajustes serão mensais, e não mais diários.

O governo também vai liberar a cobrança do eixo suspenso nas rodovias de todo o Brasil, reservará 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento para os caminhoneiros autônomos e estabelecerá uma tabela mínima para os valores do frete, a ser reajustada trimestralmente.

Foram mantidas ainda medidas como alíquota zero na Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), acertada em negociação da semana passada, mas que não foram suficiente para pôr fim à greve dos caminhoneiros.