Aos Fatos

Lula não recebeu visita de falso padre; foto mostra prisão realizada em 2007

Por Luiz Fernando Menezes

14 de maio de 2019, 15h15


Uma foto da prisão de Rubens Miguel da Silva, que, em 2007, tentou embarcar no Aeroporto de Guarulhos vestido de padre e com três quilos de cocaína, tem sido compartilhada nas redes sociais como se ele fosse um falso sacerdote que foi detido após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na prisão.

O boato foi publicado por dezenas de perfis pessoais no Facebook, onde já acumula mais de 10 mil compartilhamentos. Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação (entenda como funciona).


FALSO

O PT é tão sacana, que até o padre que foi visitar Lula era falso! Kkkk FALSO PADRE DETIDO DEPOIS DE VISITAR LULA. Ninguém ainda explicou quais as verdadeiras intenções do falso padre que entrou para visitar Lula; Rubens Miguel da Silva, de 27 anos, que já foi preso anteriormente por tráfico e por agredir dois Oficiais da Reserva em frente ao Clube Militar, tem registradas, apenas em 2018, vinte e quatro viagens internacionais para Cuba e Venezuela!

A legenda acima acompanha uma foto de um homem vestido como padre algemado, mas, à exceção do nome do falso sacerdote, todas as informações são enganosas.

Rubens Miguel da Silva foi preso em 2007 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por tráfico internacional de drogas, quando tentava viajar para a África do Sul com três quilos de cocaína. Como disfarce, ele vestiu uma batina e carregou uma pasta com livretos de catequese. A droga estava escondida nos sapatos e em uma cinta no corpo de Silva.

A foto em questão foi tirada por Valéria Gonçalvez, da Agência Estado, no dia da prisão de Silva.

O ex-presidente Lula (PT) está preso em Curitiba (PR) desde o dia 7 de abril de 2018, quando ele se entregou à Polícia Federal. O caso da prisão do falso padre, portanto, ocorreu cerca de 11 anos antes da prisão do petista e não tem relação com o caso.

Esta desinformação não surgiu agora: em abril do ano passado, pouco tempo após a prisão do ex-presidente, o mesmo conteúdo circulou pelas redes e foi verificado pelo Boatos.org. Desta vez, além do Aos Fatos, o conteúdo já foi checado pela Agência Lupa e pelo Estadão Verifica.