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Marcelo Camargo/ABr

As idas e vindas de Meirelles sobre sua candidatura em 2018

Por Tai Nalon

3 de novembro de 2017, 16h45


Nos últimos dois dias, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deu diferentes declarações a respeito de suas intenções para as eleições de 2018. A controvérsia, entretanto, tem origem em setembro, quando seu partido, o PSD, o lançou pré-candidato à Presidência da República.

A rigor, o ministro começou a semana com uma afirmação a respeito de possíveis convites para ser vice-presidente. Ele termina esta semana, entretanto, negando uma eventual candidatura presidencial.

Aos Fatos registrou as idas e vindas de Meirelles e classificou suas afirmações como CONTRADITÓRIAS. Veja abaixo a cronologia.


CONTRADITÓRIO

Tudo começou em 13 de setembro, quando o presidente licenciado do PSD, o ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações), anunciou a pré-candidatura de Meirelles à Presidência da República a pedido da bancada do partido na Câmara. "É uma pré-candidatura que vai ser disponibilizada pelo partido. Tenho certeza de que em algum momento porque ele tem condições para isso, é uma pessoa muito bem preparada e sem dúvida alguma será uma das grandes opções que o partido tem", disse Kassab à época.

Meirelles repercutiu as palavras do colega pelo Twitter no mesmo dia:

Eu não sou pré-candidato à Presidência da República. Fiquei muito honrado com as palavras de todos os deputados do PSD. Seguirei debatendo a política econômica com todos os parlamentares.

Porém, no dia 22 de setembro, em Nova York, Meirelles voltou a comentar o assunto, questionado por jornalistas. Na ocasião, havia recebido incentivo de investidores estrangeiros para tentar uma vaga no Planalto.

Isso sempre existe [manifestações de apoio], não só aqui como em outros locais por onde vou, no Brasil, sempre existe alguém manifestando apoio.

Depois de um período sem abordar diretamente o assunto, o tema voltou a rondar o ministro num fórum de empresários em São Paulo, na última segunda-feira (30). Na ocasião, afirmou:

Sou candidato a fazer um bom trabalho na Fazenda, a consolidar a trajetória de crescimento da economia. É o que todo cidadão tem de fazer, ficar concentrado no seu trabalho, cumprindo bem a missão atribuída naquele momento. Nunca trabalhei com hipóteses na minha carreira. Vice é até interessante, fui convidado para isso pelo presidente da República em 2010 e depois em 2014

No entanto, diante da repercussão da declaração, Meirelles disse que era "brincadeira" uma eventual candidatura para o Palácio do Planalto. Porém, dois dias depois, em 1º de novembro, disse à rádio CBN:

Essa possibilidade (de vice) não existe. O que existe é uma discussão natural sobre 2018, que deve se dar no momento certo. 2018 fica para 2018.

Entretanto, no dia seguinte, em entrevista publicada na revista Veja, afirmou:

Sim, sou presidenciável. As pessoas falam comigo, me procuram, mas ninguém me cobra uma definição.

E aí, nesta sexta-feira (3), disse à Rádio Gaúcha:

Tenho consciência de que muitas pessoas tenham certa expectativa de um candidato que defenda essa linha de atuação e ao mesmo tenho, tenha experiência. Nesse momento, não estou pensando nisso. Estou focado na economia.