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Gleisi não defendeu ‘desemprego em massa’; vídeo de 2017 foi editado

Por Amanda Ribeiro

7 de junho de 2019, 20h01


Editado, um vídeo de 2017 tem sido replicado nas redes sociais (veja aqui) para sugerir que a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou em uma reunião que desejava o desemprego em massa no Brasil para causar uma revolta popular. Na ocasião, a petista fazia, na verdade, um discurso contra o projeto de reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB). Nos trechos que foram adulterados, ela afirmava que estatísticas de emprego são manipuladas no México e posicionava-se pela divulgação de dados reais no Brasil: “nós queremos desemprego efetivo”.

Esta verificação foi sugerida por leitores do Aos Fatos no WhatsApp (saiba mais). Publicações semelhantes no Facebook foram marcadas com o selo DISTORCIDO na ferramenta de monitoramento da rede social (entenda como funciona), classificação utilizada quando um conteúdo é real, mas foi manipulado de modo a alterar o sentido original.


DISTORCIDO

BOMBA !

É o fim de Gleisi Hoffmann! Vídeo que acaba com a petista de vez.

Vazou um vídeo de reunião de cúpula; e a senadora petista diz que querem é desemprego em massa. Para deixar o povo revoltado. Assista esse vídeo é revoltante como somos somente peças de um jogo político.

Um vídeo editado e legendado para sugerir que a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), defende o desemprego em massa para causar uma revolta popular vem circulando pelas redes desde o dia 29 de maio como se retratasse uma reunião de cúpula do PT. Na verdade, o registro, de julho de 2017, mostra uma live transmitida no lançamento da Frente Suprapartidária por Eleições Diretas Já, em Curitiba.

O conteúdo que circula nas redes mescla trechos de dois momentos do discurso de Hoffmann para sugerir que ela tenha afirmado desejar desemprego em massa: no primeiro, ela repudia as estatísticas maquiadas de desemprego e diz querer “desemprego efetivo”, ou seja, que os dados de população ocupada representem a realidade.

No discurso original, ela cita o caso do México, que passou por um processo semelhante de reforma trabalhista e “tem 2% de desempregados. Quem olha para a estatística acha que está correto. Só que o México está miserável, porque, ao invés de dar emprego e melhorar as condições de vida das pessoas, precarizou os empregos bons que tinha”.

Nesse ponto do discurso (por volta dos 45 minutos e 40 segundos), a deputada fala o trecho apresentado no vídeo. “Nós não queremos desemprego estatístico, nós queremos desemprego efetivo, e as pessoas ganhando um salário decente”. Analisando a fala com base no contexto, pode-se perceber que o que Hoffmann faz é afirmar que os dados estatísticos do México não são válidos, já que o aumento das vagas de emprego associado à precarização não teria melhorado efetivamente a vida da população do país, segundo ela.

No segundo ponto usado na montagem, a petista afirma que, se necessário, os parlamentares devem partir para “o enfrentamento físico” para evitar a aprovação da reforma trabalhista de Temer, à época prestes a ser votada pelo Senado. Usadas fora de contexto, as falas tentam sugerir que Hoffmann desejava que o desemprego em massa causasse uma revolta popular.

O trecho reproduz os últimos minutos de fala da deputada (aos 52 minutos e 20 segundos). Ali, ela, que volta a falar da reforma trabalhista no Brasil: “eles não podem colocar para votar essa emenda, não podem colocar para votar essa proposta. Nós temos que sentar na cadeira do Eunício [Oliveira, à época presidente do Senado] e dizer: ‘você não vai abrir essa sessão’”.