Aos Fatos

Fotos de protesto na Igreja Universal são de 2013 e não têm a ver com apoio de Bispo Macedo a Bolsonaro

Por Alexandre Aragão

4 de outubro de 2018, 15h02


Uma publicação feita no Facebook nesta segunda-feira (1º) traz fotos de um protesto de 2013 e engana ao dizer que elas mostram manifestantes de esquerda protestando em frente a um templo da Igreja Universal do Reino de Deus “após o bispo Edir Macedo declarar apoio ao Bolsonaro”. A informação é falsa, pois as fotografias no post foram tiradas em maio de 2013, em Florianópolis (SC), durante a terceira edição da Marcha das Vadias. Não há, portanto, qualquer relação com a declaração de voto do bispo, que foi noticiada no sábado (29).

A Marcha das Vadias é um movimento surgido em 2011 no Canadá após um policial afirmar em uma palestra na Universidade de Toronto que, para evitar estupros, mulheres deveriam deixar de se vestir como “vadias” (sluts, em inglês). Desde então, manifestações puxadas por grupos feministas têm sido realizadas anualmente em diversas cidades do mundo, inclusive no Brasil, com o mote de combate ao machismo e aos abusos sexuais contra mulheres.

A publicação com informações falsas e distorcidas já acumula mais de 50 mil compartilhamentos no Facebook e foi feita em um perfil pessoal. Denunciado por usuários da rede social, o conteúdo foi marcado por Aos Fatos como FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).

Confira abaixo, em detalhes, o que checamos.


FALSO

Após o bispo Edir Macedo declarar apoio ao Bolsonaro, manifestantes de esquerda protestam em frente à Igreja Universal.

O post no Facebook dá a entender que a manifestação — em que mulheres com os seios à mostra seguram placas como “minha nudez é política” — foi feita em resposta à declaração de apoio do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). A informação, porém, é FALSA.

Na verdade, as imagens foram feitas durante a Marcha das Vadias em Florianópolis, em maio de 2013, e são de autoria do fotógrafo Eduardo Valente. A série de imagens, que está completa no site do fotógrafo, mostra que os manifestantes se reuniram no escadão da Igreja Universal, na avenida Mauro Ramos, mas também marcharam por outras partes da cidade.

Uma reportagem publicada à época no site Gospel Prime, de orientação cristã, afirma que “a manifestação na porta da Igreja Universal foi pacífica, já que não havia cultos naquele horário” e que “o protesto tem como objetivo defender motivos como a liberdade sexual e o fim da violência contra a mulher” — sem nenhuma relação direta, portanto, com Bolsonaro.

A Marcha das Vadias é um movimento surgido em 2011 no Canadá após um policial afirmar em uma palestra na Universidade de Toronto que, para evitar estupros, mulheres deveriam deixar de se vestir como “vadias” (sluts, em inglês). As manifestações se espalharam para diversas cidades do mundo, incluindo capitais brasileiras, e têm sido realizadas regularmente por grupos feministas com bandeiras como o combate ao machismo, à violência contra a mulher e o direito ao aborto. Na marcha, o uso de roupas tidas como “provocantes” ou mesmo a nudez parcial são consideradas formas de protesto pelos participantes.