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Rovena Rosa/Agência Brasil

Fora de SP, Alckmin prioriza agronegócio e Doria aposta na indústria e no comércio

Por Luiz Fernando Menezes

14 de novembro de 2017, 16h59


Geraldo Alckmin e João Doria, os dois principais presidenciáveis do PSDB, além de já terem se mostrado em disputa, também já escolheram setores econômicos para priorizar. As agendas mostram que os pré-candidatos possuem uma divisão de interesses quando estão fora do Estado de São Paulo: Geraldo Alckmin se aproximou do agronegócio — visitou eventos como a Expointer e a Expogenética e se reuniu com a Frente Parlamentar da Agropecuária — e João Doria preferiu se encontrar com empresários da indústria e do comércio.

Alckmin. De acordo com o levantamento feito por Aos Fatos na agenda oficial dos políticos nos últimos sete meses, é possível perceber que o governador aumentou seu roteiro de viagens a partir do primeiro semestre. Após ter visitado nove cidades em abril e cinco em maio, Alckmin foi a 20 municípios diferentes (quatro vezes mais que o mês anterior) em junho. O número de saídas da capital continuou alto em julho (18), em agosto (24), em setembro (16) e em outubro (21).

Dentro do Estado, Alckmin anunciou investimentos do governo em infraestrutura: inaugurou obras de mobilidade urbana, assinou convênios destinados à área de saúde e entregou viaturas. Fora de São Paulo, além de atender a eventos ligados ao agronegócio, foi para Brasília para reuniões com lideranças políticas e participou de congressos ligados à gestão política.

Doria. O prefeito paulistano por outro lado, quando saiu de São Paulo mas ficou no Brasil (já que nestes sete meses ele também foi para o exterior nove vezes), recebeu títulos honorários, reuniu-se com lideranças empresariais e políticas locais — não especificadas pela agenda — e participou de eventos organizados pela Federação do Comércio e da Federação das Indústrias em sua homenagem.

O prefeito paulistano quase não visitou outros estados brasileiros durante os sete meses analisados, mas o número de visitas aumentou drasticamente em agosto: foram 11 cidades diferentes (três a mais do que a soma dos quatro meses anteriores).

Na capital, Doria teve reuniões, em sua maioria, com multinacionais automobilísticas (Yamaha, GM), químicas (BASF, Dow), de produtos pessoais (Colgate-Palmolive, Avon) e de tecnologia (IBM, Cisco). O prefeito também se encontrou com diretores de bancos, de operadoras de telefonia celular, de mobilidade urbana e até de Federações e Conselhos, como o Conselho Nacional de Indústrias (CNI).

Diferenças de agenda. Outra grande diferença na agenda dos dois políticos são as viagens ao exterior: enquanto Alckmin ficou apenas quatro dias fora do Brasil (três nos EUA e um na Argentina), Doria passou 23 (cinco na China, nos EUA e na Coreia do Sul; quatro na Itália; dois na França; e um no Vaticano, em Portugal, na Argentina e no Paraguai). Todas as viagens foram para se reunir com líderes políticos ou empresariais.