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É falso que vídeo mostre líder do MST sendo preso por tráfico de drogas

Por Amanda Ribeiro

16 de janeiro de 2020, 19h08


Publicações que circulam nas redes sociais compartilham um vídeo que mostra uma apreensão de drogas feita pela Polícia Federal e afirmam, de maneira falsa, que uma das pessoas que aparecem nas imagens seria Bruno Maranhão, identificado nos posts como líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e braço direito do ex-presidente Lula (veja aqui). No entanto, Maranhão, que na verdade era líder do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), grupo dissidente do MST e do PT, morreu em 2014, quatro anos antes da ocorrência mostrada na gravação.

O vídeo acompanhado da falsa atribuição tem sido compartilhado principalmente pelo WhatsApp, onde foi enviado ao Aos Fatos como sugestão de checagem (inscreva-se aqui). O conteúdo, no entanto, também pode ser encontrado no Facebook, e foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Bruno Maranhão, um dos líderes fortes do MST, foi preso com um avião carregado de drogas armas e grana, braço direito de lula nas invasões de terra. Direitos Humanos e agora?. SE A GLOBO NAO MOSTRA A GENTE DIVULGA E VIRALIZA.

Um vídeo que registra uma operação da Polícia Federal de apreensão de drogas em Paraguaçu Paulista (SP) em 2018 voltou a ser compartilhado nas redes sociais como se mostrasse a prisão de Bruno Maranhão, suposto líder do MST e braço direito do ex-presidente Lula. As informações, no entanto, não procedem: Maranhão morreu quatro anos antes da data de gravação das imagens, em 2014, em decorrência de problemas hepáticos.

As imagens da peça de desinformação, que mostram dois homens de bruços no chão e outro algemado em uma cadeira enquanto a polícia retira de dentro de um avião vários pacotes com drogas, foram extraídas de uma reportagem publicada pelo G1 em março de 2018. Ali, é possível encontrar, aos 2 minutos e 16 segundos, cenas idênticas às que vêm circulando com a falsa atribuição.

De acordo com a Polícia Federal, na ocasião, três homens foram detidos ao tentarem transportar, em um avião agrícola, 990 kg de maconha, escondidos no tanque de armazenamento de produtos químicos e nas asas da aeronave. Outros 400 kg da droga foram encontrados no hangar em que o avião estava estacionado. Não há nenhuma informação de que qualquer um dos homens tenha ligação com o MST.

Bruno Maranhão tampouco era membro do MST, mas líder do MLST, dissidência do Movimento Sem Terra. Em 2006, ele ficou conhecido nacionalmente quando o seu grupo promoveu uma tentativa de invasão à Câmara dos Deputados que terminou com atos de vandalismo. O grupo protestava pela votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Trabalho Escravo.

Maranhão era fundador e foi filiado ao PT até o fim da vida. Porém, após o episódio na Câmara, o comando da sigla se afastou publicamente dele, incluindo Lula. Porém, quando Maranhão morrreu, em 2014, o ex-presidente se pronunciou no Facebook dizendo que ele era "um grande companheiro, amigo e um grande militante da esquerda brasileira".

Este boato também foi checado pelo Fato ou Fake, o Estadão Verifica e o Boatos.org.

Referências:

1. Folha de S.Paulo
2. G1 (Fontes 1 e 2)