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É falso que laudo da Polícia Civil atestou que Ágatha foi morta por traficante

Por Luiz Fernando Menezes

14 de outubro de 2019, 15h34


Não é verdade que a Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou laudo em que aponta ter partido da arma de um traficante a bala que matou Ágatha Félix, de 8 anos, em 20 de setembro, no Complexo do Alemão. Segundo a corporação, o único documento divulgado até agora foi inconclusivo: sabe-se que a munição era de um fuzil, mas não qual a origem da arma. A família da vítima e testemunhas indicam que o tiro veio da Polícia Militar, que nega.

A desinformação foi publicada por perfis pessoais no Facebook (veja aqui) que reúnem ao menos 3.000 compartilhamentos até a tarde desta segunda-feira (14). O conteúdo foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona). A checagem também foi sugerida por leitores do Aos Fatos no WhatsApp (inscreva-se aqui).


FALSO

O laudo balístico do caso Ágatha no Complexo do Alemão saiu hoje, vocês sabiam? Não né, sabe porque? Porque a perícia concluiu que o projétil no corpo da inocente Ágatha não condiz com o projétil usado pela PM no Rio de Janeiro, desenhando pra alguns entenderem, a bala que pegou na menina não é do fuzil usado pelos PMs é de um outro tipo de arma, inclusive muito comum nas favelas cariocas! Agora me pergunto terá manifestações de indignação amanhã?

Não existe laudo da Polícia Civil do Rio de Janeiro que ateste que a bala que atingiu as costas da menina Ágatha Félix, no dia 20 de setembro, no Complexo do Alemão, teria saído da arma de um traficante. Ao Aos Fatos, a corporação informou nesta segunda-feira (14) que o único laudo sobre o caso foi divulgado poucos dias após a morte pelo ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) e não identificou a origem do projétil, apenas que tratava-se de uma munição de fuzil.

O laudo apontou que “o fragmento de projétil retirado do corpo de Ágatha é compatível com o de fuzil”, mas que “não há como determinar o calibre nominal, número e direcionamento das raias, bem como microvestígios de valor criminalístico, o que inviabiliza exame microcomparativo (confronto balístico)”. Ou seja, a origem da arma não pôde ser identificada porque o fragmento da bala encontrado era muito pequeno.

Segundo a versão de familiares de Ágatha e de testemunhas, o tiro teria sido disparado por um policial ao tentar acertar um motociclista que passava pelo local e que não havia tiroteio no momento. Já a PM, em comunicado oficial emitido no dia 21 de setembro, citou um conflito armado no local para dizer que os policiais “revidaram à agressão”.

Referências:

1. G1
2. O Globo
3. Folha de S.Paulo
4. Veja
5. Aos Fatos