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É falso que Cedae emitiu alerta para que cariocas evitassem consumo de água

Por Luiz Fernando Menezes

13 de janeiro de 2020, 19h00


Não é verdade que a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) emitiu um alerta para que moradores do Rio de Janeiro evitem o consumo de água da torneira ou do filtro, como afirma uma corrente que circula especialmente no WhatsApp (veja aqui). Até o momento, a empresa pública reconheceu, em dois comunicados, a presença em amostra da água da substância orgânica geosmina. Ressaltou, no entanto, que ela não faz mal à saúde humana, o que é corroborado por especialistas, e que usaria carvão ativado na água para deter seu avanço.

Ainda que o comunicado seja falso, relatos de alteração na cor e no gosto da água fornecida pela Cedae em regiões do Rio de Janeiro suscitam cuidado redobrado dos consumidores. Segundo o professor de microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Marco Miguel, nos casos de turbidez, coloração estranha ou cheiro muito forte, o melhor a se fazer é consumir apenas água mineral.

A corrente com o falso alerta da Cedae foi enviada por dezenas de leitores do Aos Fatos por WhatsApp (acesse aqui) como sugestão de checagem. Devido à natureza do aplicativo, não é possível medir com precisão o seu alcance. No Facebook, também foram encontrados centenas de posts com o mesmo conteúdo enganoso até a tarde desta segunda-feira (13). Todos foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Enviado pelo grupo de médicos do Samaritano. A Cedae emitiu um alerta URGENTE. NINGUÉM deve consumir água da torneira nem do filtro, só fervida e mineral de marca boa. Tão pouco as de galão de 20 litros sem procedência certa. Comprar somente água de garrafa marca conhecida. Contaminação na água, e os hospitais estão lotados de gente passando mal. Tem gente que a água está com cheiro de esgoto. Passem um alerta por todo grande Rio.

Uma corrente que circula nas redes sociais afirma que a Cedae emitiu um alerta para que os moradores do Rio de Janeiro não consumam água de torneira ou de filtro. No entanto, em publicação no Facebook no dia 9 de janeiro, a companhia informou que a água fornecida no Rio de Janeiro está própria para consumo e que as informações da corrente são falsas.

Apesar dos relatos dos cariocas de cheiro forte e turbidez da água, a Cedae reconheceu, até o momento, apenas a presença da substância orgânica geosmina nas amostras que analisou em 7 de janeiro. E, ainda que essa substância não seja considerada prejudicial à saúde humana, a empresa disse que iniciaria a aplicação de carvão ativado pulverizado no início do tratamento da água para reter a sua proliferação nos reservatórios.

Ainda segundo a Cedae, o aparecimento da geosmina ocorre após um fenômeno natural de aumento do número de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico.

Em entrevista ao jornal O Globo, Sandra Azevedo, professora da UFRJ especializada em cianobactérias, reconhece que a geosmina em si não traz riscos à saúde humana, mas ressalta que a substância não deixaria a água turva, como tem sido relatado por uma série de consumidores na cidade.

O professor e engenheiro sanitarista da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Adacto Ottoni sobrevoou os principais mananciais que abastecem o reservatório do Rio Guandu e alerta para a poluição. “Essa água indica altíssima poluição. A gente vê, bem claramente, o alto grau de degradação da bacia, com ocupação das faixas marginais, desmatamento. A água vai passando pelas cidades e você vê as manchas de poluição entrando no rio.”, disse em entrevista ao G1.

Já especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que ainda é cedo para liberar de vez o consumo da água. “Houve um aumento de algas e bactérias na água e, embora não relatado pela Cedae, estes microrganismos podem produzir alguns compostos que podem ser nocivos à saúde quando presentes em grandes quantidades”, disse o professor de microbiologia da UFRJ Marco Miguel.

Segundo o professor, as recomendações básicas para os consumidores são:

- Pode-se utilizar água normalmente caso esteja transparente e com leve cheiro de terra ou cloro;

- Nos casos de cheiro forte de terra, turbidez ou coloração alterada, é recomendado utilizar água mineral;

- Também é recomendado trocar filtros e, se possível, limpar os reservatórios assim que a água voltar ao normal.

Referências:

1. Cedae
2. O Globo
3. G1
4. Folha de S.Paulo