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É falso que água quente com abacaxi cura o câncer

Por Luiz Fernando Menezes

2 de outubro de 2019, 14h46


Não é verdade que o professor Chen Hui-ren tenha descoberto que o câncer pode ser curado se o paciente tomar água quente com abacaxi, como afirma uma corrente que vem circulando no WhatsApp e em outras redes sociais. O pesquisador existe, assim como estudos que relacionam substâncias da fruta ao tratamento de tumores, mas nenhum deles foi desenvolvido pelo professor ou cita a eficácia do método contra a doença. Aos Fatos também não identificou evidências científicas que apontem nessa direção.

Além de circular no WhatsApp, onde não é possível medir com precisão seu alcance, a corrente também foi encontrada em publicações no Facebook (veja aqui) que reúnem ao menos 500 compartilhamentos nesta quarta-feira (2). O conteúdo foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação disponibilizado pela rede social (veja como funciona). Esta checagem foi produzida por sugestão de leitores do Aos Fatos no WhatsApp (inscreva-se aqui).

Confira abaixo, em detalhes, o que checamos:


FALSO

Água quente de abacaxi por favor espalhe !! por favor espalhe !! O professor Chen Huiren, do Hospital Geral do Exército de Pequim, enfatizou que, se todos os que receberem este boletim puderem levar dez cópias para os outros, certamente pelo menos uma vida será salva… Eu cumpri algumas de minhas responsabilidades, espero que você também consiga .. Obrigado! Água quente de abacaxi pode economizar uma vida inteira. Abacaxi quente ~ pode matar células cancerígenas.

Uma corrente que viralizou no WhatsApp afirma que água quente com abacaxi seria um dos “últimos avanços no tratamento eficaz do câncer”, uma vez que a mistura repara todos os tipos de doença, mata germes e toxinas e destrói células cancerígenas. Aos Fatos não identificou, no entanto, nenhum estudo que confirme esse tratamento. Segundo Luciana Grucci, nutricionista do Inca (Instituto Nacional do Câncer), em entrevista ao Aos Fatos, “não existem evidências científicas” sobre o método.

De acordo com uma revisão bibliográfica publicada na Biomedical Reports em 2016 e que analisou estudos que tratam de possíveis efeitos anticâncer da bromelina, substância presente no abacaxi, há indícios científicos de ela possa ser um agente terapêutico contra a doença. O artigo conclui, no entanto, que são necessários mais estudos na área para atestar os resultados dos tratamentos baseados na substância.

Segundo o Medical News Today, há outro estudo que indica que o suco do abacaxi ajudou na supressão do crescimento de tumores no colo do útero e no ovário. Mais uma vez, porém, é ressaltado que ainda são necessárias mais pesquisas sobre o tema.

Segundo a corrente, a descoberta dos benefícios do abacaxi estaria sendo divulgada pelo professor Chen Huiren, do Hospital Geral do Exército de Pequim. Há um pesquisador chamado Chen Hui-ren, como é possível verificar no Research Gate, mas não há indícios que ele trabalhe na instituição citada. Também não existem estudos de sua autoria que relacionem o consumo de abacaxi com água quente à cura ou ao tratamento do câncer.

Tratamento. Conforme explicado por Aos Fatos em checagem anterior, não é possível falar em cura do câncer. Existem mais de cem tipos de câncer, cada um com suas especificidades (alguns podem ser tratados, outros apenas controlados). Além disso, existem graus da doença: pacientes podem descobrir o câncer em estágio inicial, facilitando o tratamento, por exemplo. Segundo o Instituto Oncoguia, a maior parte das mortes por câncer é causada pelo diagnóstico tardio da doença.

Mesmo que os alimentos não curem o câncer, a OMS (Organização Mundial da Saúde) indica que uma dieta saudável — consumo de alimentos com pouca gordura, açúcar e sal e ingestão de frutas e verduras — e a prática regular de exercícios é uma das formas mais importantes de prevenção.

O Boatos.org também desmentiu a corrente. A mesma desinformação circulou nas redes no ano passado, mas apresentando o suco de coco quente como alimento milagroso. Esta versão foi desmentida pela Agência Lupa, pelo e-Farsas e pela Revista Saúde.

Referências:

1. Biomedical Reports
2. Medical News Today
3. International Journal of Peptide Research and Therapeutics
4. Research Gate
5. Aos Fatos
6. DrauzioVarella.uol.com
7. Instituto Oncoguia
8. OMS