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Luiz Fernando Menezes/Aos Fatos

Desenhamos fatos sobre o vírus HIV e a Aids

Por Luiz Fernando Menezes

29 de novembro de 2019, 12h40


Domingo (1º) é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Instaurada em 1988 pela Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), a data tem como objetivo relembrar lutas e conquistas no combate ao HIV e conscientizar a população sobre o vírus.

No Brasil, a morte em decorrência da Aids — último estágio da carga viral do HIV — vem diminuindo desde 2015. Em 2018, último dado disponível, o país atingiu o coeficiente de mortalidade mais baixo da série história: 5,3 por 100 mil habitantes. O número de novas pessoas infectadas pelo vírus recuou entre 2017 e 2018, mas a tendência dos últimos quatro anos foi de alta.

Aos Fatos lista e desenha esses e outros fatos sobre o vírus HIV e a Aids no Brasil e no mundo:


O vírus. HIV é a sigla para human immunodeficiency virus (vírus da imunodeficiência humana), que ataca o sistema imunológico, especialmente os linfócitos, tornando o corpo mais suscetível a infecções oportunistas. O vírus é transmitido por fluidos corporais, como sangue ou secreções e ainda não possui cura.

Se o vírus não for controlado, as pessoas vivendo com HIV podem desenvolver Aids (sigla de acquired immunodeficiency syndrome, ou síndrome da imunodeficiência adquirida em inglês). Considerada o estágio mais avançado da infecção pelo HIV, a Aids pode facilitar o desenvolvimento de outras doenças e causar problemas neurológicos. Antigamente, ela era considerada mortal, mas hoje já é possível tratá-la, com melhores resultados se combatida desde o estágio inicial.

Dados. A ONU estima que, em 2018, cerca de 37,9 milhões de pessoas viviam com HIV no mundo, sendo que 1,7 milhão descobriu ser portadora do vírus naquele ano. Por mais que o número de novas descobertas ainda seja alto, ele representa uma redução de cerca de 40% desde 1997, quando foram registrados 2,9 milhões de novos casos.

O mesmo ocorre com as mortes decorrentes da Aids. Segundo a ONU, 770 mil pessoas morreram em consequência da doença em 2018, mas esse número é 55% menor do que o pico de 2004, quando houve 1,7 milhão de óbitos no mundo todo.

O Brasil, no entanto, ainda possui um número grande de novas infecções. Por mais que, no ano passado, esse número tenha diminuído — 43.941 registros —, se comparados os últimos quatro anos, ainda há aumento: em 2015 foram 38.645 casos novos; em 2016 foram 41.166; e, em 2017, 44.443. Os dados são do Boletim Epidemiológico 2019 sobre AIDS do Ministério da Saúde. É importante ressaltar que as notificações de infecções por HIV no sistema de saúde só passaram a ser obrigatórias em junho de 2014 e, por isso, os dados só devem ser comparados a partir de 2015, antes disso não são considerados completos.

Entre 2015 e 2018, o maior aumento de novos casos registrados (15,2%) foi entre jovens de 20 e 24 anos: de 7.272 casos novos em 2015, o número foi para 8.380 em 2018. Mais de 40% dos novos infectados por HIV estão na faixa etária de 20 a 29 anos.

Segundo Valéria Paes Lima, professora de infectologia da UnB (Universidade de Brasília) e diretora da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, existem diversas possíveis causas para esse crescimento de casos entre jovens. Ela cita o aumento da disponibilidade de testes para detectar o vírus, principalmente testes rápidos, mas também a falta de conscientização sobre o uso de preservativos e o desconhecimentos dos perigos da infecção. Como esses jovens não vivenciaram a epidemia mundial de Aids, nos anos 1980, Lima acredita que essas pessoas têm menos medo de contrair o HIV.

Vale dizer que o Brasil registrou queda no número de mortes decorrentes de AIDS nesse mesmo período. Foram 12.667 mortes em 2015 e 10.980 em 2018, uma queda de cerca de 13,3%.

Tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, o primeiro caso de Aids no Brasil foi confirmado em 1982, mas foi só em 1996 que o tratamento foi adotado no país. No mesmo ano, foi sancionada a lei nº 9.313, que determinou que pessoas com Aids deveriam receber toda medicação necessária ao tratamento gratuitamente, pelo SUS. Esse direito, em 2013, foi estendido a todas as pessoas vivendo com HIV, independente da carga viral.

O tratamento consiste, principalmente, no uso de ARVs (antirretrovirais), que inibem a multiplicação do vírus e evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. Se o paciente aderir à terapia, é possível controlar a doença, fortalecer o sistema imunológico, e prevenir a evolução para Aids. A OMS recomenda atualmente que os ARVs sejam fornecido às pessoas infectadas pela vida toda.

Com o tratamento, é possível também que o vírus atinja o estágio indetectável. Há um consenso científico de que quando a pessoa que vive com HIV apresenta carga viral indetectável há pelo menos seis meses, ela não transmite mais o vírus por via sexual.

A meta da ONU é que, até 2020, os países cheguem na meta 90-90-90, quando 90% das pessoas vivendo com HIV saibam o seu estado sorológico, 90% dessas pessoas estejam recebendo tratamento e 90% tenham o vírus indetectável. Segundo as últimas estimativas da Unaids, com dados de 2018, 85% da população infectada no Brasil sabe que porta o vírus, 77% dessas estão em tratamento e 94% das que tratam já atingiram um estágio de supressão do HIV.

PEP e PrEP. Além do uso de preservativos, atualmente há dois tipos de preventivos contra a infecção para casos específicos. Uma delas é a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), que é disponibilizada pelo SUS desde 2017 e estabelece o uso preventivo de medicamentos antes da exposição da pessoa ao vírus. Esse tipo de prevenção é recomendada a populações-chave, como trabalhadores do sexo e parcerias sorodiferentes (quando apenas uma pessoa do casal é soropositiva).

Outro caso é a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), que é uma ação de emergência e consiste no uso de medicamentos ARVs em até 72 horas após a pessoa ter tido um possível contato com o HIV. Ela é recomendada pelo Ministério da Saúde em casos como relação sexual desprotegida, rompimento da camisinha, estupros e acidentes ocupacionais.

Referências:

1. Unaids (Fontes 1, 2 e 3)
2. HIV.gov (Fontes 1 e 2)
3. Ministério da Saúde (Fontes 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7)
4. Fiocruz
5. Planalto
6. OMS
7. Prevention Access
8. Agência Aids


Esta reportagem foi atualizada às 15h57 do dia 29 de novembro de 2019 para acrescentar as informações mais recentes divulgadas pelo Boletim Epidemiológio 2019, publicado na tarde desta sexta-feira (29). Por conta das novas informações, o texto da HQ também foi modificado.