Aos Fatos

Seja um apoiador

Checamos

Leia as últimas declarações checadas pela equipe do Aos Fatos

Mais

Explore todos os nossos conteúdos e checagens

Luiz Fernando Menezes/Aos Fatos

Desenhamos fatos sobre o câncer de mama

Por Luiz Fernando Menezes

25 de outubro de 2019, 12h06


Cerca de 2,1 milhões de novos casos de câncer de mama surgem anualmente, segundo estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde). Ele é um dos tipos de câncer mais frequentes em todo o mundo e também o que mais mata mulheres: 627 mil morreram em decorrência da doença em 2018.

Para marcar o Outubro Rosa, mês internacional de conscientização sobre a doença, Aos Fatos desenhou fatos sobre o câncer de mama e sua prevenção:


Estatísticas brasileiras. Os dados mostram que o Brasil não se diferencia da média mundial. O câncer de mama também é o que mais mata mulheres no país. Em 2017, segundo dados do DataSUS, foram 16.927 vítimas, sendo 16.724 delas do sexo feminino.

Esses números também fazem com que a doença seja o terceiro tipo mais mortal de câncer em termos gerais: em 2017, o tumor na mama ficou atrás apenas de casos de câncer na traqueia, nos brônquios, no pulmão (27.929 mortes) e no cólon ou reto (18.867).

Aqui, ele é também o segundo tipo mais comum entre mulheres, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. Segundo estimativa do Inca, espera-se que, no biênio 2018-2019, haja 59.700 novos casos no país, um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.

Considerando as regiões brasileiras, o câncer de mama é mais comum em mulheres do Sul e no Sudeste: as incidências são de 73,07/100 mil e 69,50/100 mil, respectivamente. Nas outras três regiões, os números são bem menores: as taxas são de 51,96/100 mil no Centro-Oeste, 40,36/100 mil no Nordeste e 19,21/100 mil no Norte.

Prevenção e fatores de risco. O World Cancer Research Fund (Fundo Mundial de Pesquisa ao Câncer, em inglês), associação sem fins lucrativos que serve como unificação para as instituições de combate ao câncer, divide os fatores de risco do câncer de mama — ou seja, as condições que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença — em níveis relacionados ao número de evidências científicas encontradas. São considerados fatores com fortes evidências sedentarismo, sobrepeso e obesidade, consumo de bebidas alcoólicas e uso de hormônios (principalmente anticoncepcionais orais que contêm estrogênio e progesterona).

Por isso, recomenda-se que, para prevenir a doença, as mulheres pratiquem exercícios físicos, tenham uma dieta saudável e evitem o consumo de álcool. Há também evidências de que a amamentação diminui as chances de desenvolvimento do tumor.

Outro fator importante é o genético. Mulheres que possuem alteração nos genes BRCA1 e BRCA2 ou histórico familiar de cânceres de mama e ovário (principalmente antes dos 50 anos) têm risco elevado de desenvolver a doença.

Uma recomendação do Ministério da Saúde é que mulheres com mais de 50 anos façam mamografias a cada dois anos. Em casos de pacientes com histórico familiar da doença ou mutação nos genes, pede-se que os exames sejam feitos a partir dos 35. As mamografias são disponibilizadas gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a todas as mulheres com mais de 40 anos, conforme determina a lei nº 11.664/2008.

A mamografia é importante porque pode detectar o tumor em estágio inicial, o que aumenta as chances de cura. A estimativa é que, se diagnosticado cedo, esse tipo de câncer tem até 95%de chance de ser curado.

Antigamente, o autoexame das mamas era indicado para auxiliar no diagnóstico. Mas hoje, o Inca não recomenda a técnica: "grandes estudos sobre o tema demonstraram baixa efetividade e possíveis danos associados a essa prática. Entretanto, a postura atenta das mulheres no conhecimento do seu corpo e no reconhecimento de alterações suspeitas para procura de um serviço de saúde o mais cedo possível – estratégia de conscientização – permanece sendo importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama", disse a instituição, em nota enviada ao Aos Fatos.

A OMS, em publicação sobre seu posicionamento a respeito da mamografia, ressalta que a estratégia de realizar os exames a cada dois anos em mulheres de 50 a 69 anos reduziu em 16% as mortes decorrentes de câncer de mama.

Tratamento. O tipo e o estágio do tumor determinam o tratamento adequado contra doença. Os principais métodos envolvem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica. Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado, maior potencial curativo tem o tratamento.

No Brasil, o tratamento para o câncer de mama é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), conforme garante a lei nº12.732/2012, que passou a vigorar em 2013. O texto determina que pacientes com neoplasia maligna de qualquer tipo têm direito ao tratamento em até 60 dias contados a partir do diagnóstico em laudo patológico.

Referências:

1. OMS (Fontes 1 e 2)
2. DataSUS
3. Inca (Fontes 1, 2, 3
4. World Cancer Research Fund
5. Fiocruz
6. Planalto (Fontes 1 e 2)
7. Oncoguia


*Esta reportagem foi atualizada às 15h40 do dia 31 de outubro de 2019 para corrigir a informação sobre o autoexame das mamas. Ao contrário do afirmado anteriormente, a prática não é mais recomendada pelo Inca.