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Deputado José Guimarães não foi flagrado com dólares na cueca nem preso

Por Luiz Fernando Menezes

1 de outubro de 2019, 19h31


É falso que o deputado federal José Guimarães (PT-CE) foi preso em flagrante com uma mala de dinheiro e cerca de US$ 200 mil dentro da cueca, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Na verdade, foi José Adalberto Vieira, então assessor de Guimarães, quem foi flagrado em 2005 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 209 mil em uma mala e US$ 100 mil presos à roupa de baixo. Em 2012, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que o deputado não tinha responsabilidade no caso.

No Facebook, posts com a desinformação já acumulavam ao menos 3.000 compartilhamentos na tarde desta terça-feira (1º) e foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


FALSO

Só no Brasil um meliante preso em flagrante com 200 mil dólares na cueca vira deputado. Em qualquer país civilizado estaria puxando 10 anos de cadeia.

Publicação que circula nas redes sociais traz uma foto do deputado federal José Guimarães (PT-CE) com a afirmação de que ele foi flagrado com US$ 200 mil na cueca. A peça de desinformação faz referência ao episódio em que a PF (Polícia Federal) interceptou um passageiro com uma mala com R$ 209 mil e mais US$ 100 mil escondidos na cueca em 2005. No entanto, a pessoa que transportava o dinheiro não era José Guimarães, mas um assessor dele.

Conforme explicado por Aos Fatos em abril, a PF prendeu em julho de 2005 José Adalberto Vieira da Silva, então assessor de Guimarães no mandato de deputado estadual do Ceará. Silva foi flagrado quando embarcava no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para Fortaleza portando uma mala com R$ 209 mil e mais US$ 100 mil escondidos na cueca. Com a prisão, foi iniciada uma investigação sobre um possível esquema de caixa dois no PT do Ceará.

O deputado chegou a ser acusado de envolvimento no caso, mas, em junho de 2012, a Primeira Turma do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) retirou o seu nome do processo. De acordo com Benedito Gonçalves, ministro relator do recurso movido pelo deputado, “relação de amizade e companheirismo político e partidário, não são o bastante para sustentar a instauração de uma ação de improbidade em relação ao recorrente”.

O caso, no entanto, resultou no afastamento do então deputado federal José Genoíno (PT-SP), irmão de Guimarães, da liderança do PT na Câmara na época. José Adalberto Vieira da Silva foi solto cinco dias depois de ser preso, mas condenado a pagar uma multa em sentença do Tribunal Regional Federal da 5ª Região em 2014.

Referências:
1. Aos Fatos
2. Folha de S.Paulo
3. Estadão
4. O Globo