Aos Fatos

Datafolha não computou para Haddad voto declarado em Bolsonaro

Por Alexandre Aragão

27 de outubro de 2018, 19h30


Um vídeo publicado em uma página pessoal no Facebook afirma, de maneira falsa, que um entrevistado do Datafolha declarou voto em Jair Bolsonaro (PSL), mas teve o voto computado no adversário, Fernando Haddad (PT). Na verdade, segundo o instituto, a pesquisadora que aplicou o questionário cometeu um erro, que foi corrigido. O entrevistado, segundo o Datafolha, teve o voto computado em Bolsonaro.

Segundo o Datafolha, a pesquisadora que aparece no vídeo “aplicou incorretamente a questão P1, sobre intenção de voto, registrou corretamente a questão P2, sobre o número da legenda, e ao aplicar a questão P3, que está ligada automaticamente à questão P1, ela notou o erro”.

Compartilhado mais de 6.500 vezes, o vídeo teve cerca de 63 mil visualizações. Denunciado por usuários do Facebook, o conteúdo foi marcado por Aos Fatos com o selo FALSO na ferramenta de checagem da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Datafolha computou para Haddad voto declarado em Bolsonaro

Segundo o instituto, a cena aconteceu em 17 de outubro, na cidade de Ivaiporã (PR). No início do vídeo, o entrevistado afirma ter declarado voto em Bolsonaro, mas diz que o tablet usado pela pesquisadora computou o voto em Haddad. A pesquisadora, então, liga para a central do Datafolha a fim de entender o que havia ocorrido.

Após o contato com a central, segundo o Datafolha, “a pesquisadora constata que o erro na questão 3 foi causado por um erro de aplicação dela na questão 1, ao qual está vinculada. Portanto, não se tratava de uma falha do sistema, mas de aplicação, e ela então corrige a informação (essa parte não é mostrada no vídeo)”.

A questão 1 era a intenção de voto. A questão 3 questionava por que o entrevistado havia escolhido o candidato da pergunta 1, por isso que o entrevistado percebeu que a resposta dele havia sido computada errada. O Datafolha afirma que “o entrevistado, após conversar com a pesquisadora sobre o problema e ter acompanhado o procedimento para verificar eventual falha de sistema e aplicação, aceitou continuar a entrevista, ou seja, suas opiniões estão na amostra do estudo finalizado no dia 18 de outubro (essa parte também não é mostrada no vídeo)”.

O instituto também disse que “checa, por telefone ou escuta, 30% do material de cada pesquisador” e que “caso sejam encontrados questionários em desacordo, todos os questionários desse pesquisador são cancelados”.