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Cinco gráficos para tentar entender os otimistas e os pessimistas com a economia

Por Tai Nalon e Sérgio Spagnuolo

5 de junho de 2017, 12h45


Na última quinta-feira (1), o presidente Michel Temer foi às redes sociais celebrar o que ele chamou de fim da recessão. Naquela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciava o primeiro resultado positivo do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro desde 2014: 1,0% de crescimento em relação ao trimestre anterior.

"O Brasil saiu da recessão. Esta é a boa nova que partilho hoje com os brasileiros. Estamos crescendo e logo a boa notícia será o emprego", disse o presidente.

No entanto, o mesmo IBGE que anunciou o crescimento da economia no primeiro trimestre desta ano também pregou cautela. Segundo a gerente de contas nacionais do instituto, Rebeca Palis, "é preciso esperar um pouco para ver o que vai acontecer este ano". "A gente teve crescimento no trimestre, mas foi sobre uma base muito deprimida. E, se olharmos no longo prazo, ainda estamos no mesmo nível de 2010", disse.

Diante de duas visões distintas do mesmo dado, Aos Fatos reuniu séries históricas e recentes de alguns dos principais indicadores econômicos brasileiros — PIB, desemprego, inflação, taxa de juros e produção industrial — para dar conta de mostrar onde a economia brasileira se situa.

Diagnósticos. O PIB do primeiro trimestre foi positivo sobretudo devido aos resultados da agropecuária, que teve alta de 13,4%, motivada por safra recorde. No entanto, outros setores tiveram resultado pior. A indústria, por exemplo, registrou crescimento de 0,9%, mas é possível ver, no gráfico acima, que o setor já desacelerava em abril, período não contemplado pela análise do PIB oficial.

Quanto à avaliação de que a recessão acabou, especialistas tendem a ser cautelosos: o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, da FGV, avalia que a recessão é uma fase cíclica em que há declínio na atividade econômica disseminada entre diferentes setores econômicos. Esses setores são o desemprego, o consumo, a renda e o crescimento setorial. Desses quatro, os três primeiros não demonstraram ainda reação significativa.

Perspectivas. Um dos fatores já presentes que poderia ajudar o PIB a crescer é a trajetória descendente da taxa de juros, que está em 10,25% desde a semana passada. O Copom (Comitê de Política Monetária) pondera, entretanto, que há "maior grau de incerteza", sobretudo depois das acusações trazidas pela delação da JBS ao governo Temer. Isso dificultaria e tornaria "mais incerta" a redução "mais célere" da taxa de juros para os próximos meses.

Já o desemprego, que registrou nova alta em abril, torna-se indutor do crescimento a partir do momento em que empresários, devido à mão de obra ociosa, recuperam a confiança e passam a contratar, mesmo com salários mais baixos. A estratégia do governo de vender bonança parte dessa premissa, já que, sem trabalho, as pessoas tendem a aceitar empregos em que ganham menos apenas para voltar ao mercado. E, com trabalho, retoma-se o consumo, já que a liberação aos saques do FGTS, no início do ano, serviram mais para pagar dívidas do que estimular compras.

A retomada dos investimentos, e não só das contratações, também entra como componente relevante para a retomada da economia. Cinco dias depois de reveladas as conversas do presidente com Joesley Batista, entretanto, a Standard & Poor's colocou a nota de risco da dívida brasileira em observação negativa.

Para saber mais, o Nexo e o Valor Econômico fizeram boas análises sobre recuperação de consumo e investimentos.