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Luiz Fernando Menezes/Aos Fatos

Cinco fatos sobre jovens e armas de fogo no Brasil

Por Luiz Fernando Menezes e Ana Rita Cunha

15 de março de 2019, 15h35


Armados, dois jovens, de 17 e 25 anos, invadiram a Escola Estadual Raul Brasil em Suzano (SP) e abriram fogo contra alunos e funcionários nesta quarta-feira (13). O massacre deixou dez mortos, entre eles os dois atiradores, que se suicidaram. O episódio — o 7º tiroteio em escola no país — reabriu o debate a respeito do acesso a armas de fogo e a morte de jovens no Brasil.

Abaixo, cinco fatos sobre o assunto.

1. Em 2017, 9.437 crianças e jovens de 0 a 19 anos de idade morreram em decorrência de disparos com armas de fogo, de acordo com os últimos dados disponíveis do Observatório da Criança e do Adolescente da Fundação Abrinq. Isso significa que as armas foram responsáveis pelas mortes de 80,4% de todos os jovens assassinados no país naquele ano.

2. O levantamento da Fundação Abrinq também aponta que, entre as vítimas, 754 eram pretos e 6.916 eram pardos, o que totaliza 7.670 vítimas negras em 2017 (cerca de 81% das vítimas). A grande maioria dos jovens assassinados são do sexo masculino: em 2017, foram 8.888 meninos e 549 meninas.

3. Em 2016, segundo o DataSus, dos 609 suicídios de menores de 19 anos, 61 envolveram o uso de armas de fogo (cerca de 10% ou 1 a cada dez casos). A proporção caiu desde a promulgação do Estatuto do Desarmamento, em 2003. Naquele ano, de 763 ocorrências de suicídio juvenil, 157 foram com uso de armas de fogo (quase 2 a cada dez casos).

4. O atentado em Suzano, que deixou dez mortos e nove feridos, é o sétimo tiroteio em escolas registrado no Brasil. O primeiro foi em 2002, em Salvador (BA), quando um jovem de 17 anos matou duas colegas de sala num colégio particular.

Após esse, foram palco de ataques as cidades de Taiúva (SP), São Caetano do Sul (SP), João Pessoa (PB), Medianeira (PR) e Rio de Janeiro (RJ), onde, em 2011, um ex-aluno entrou em uma escola em Realengo, na zona oeste da capital, e abriu fogo nas salas de aula, matando 12 pessoas.

5. Segundo levantamento do mestre e doutor em economia pela Unicamp (Universidade de Campinas), Thomas Conti, 90% das revisões de literatura e meta-análises publicadas em periódicos científicos entre 2011 e 2017, com revisão por pares, são contrárias à tese “mais armas, menos crimes”. Quando se trata do Brasil, as pesquisas nacionais corroboram amplamente a hipótese de que o crescimento do número de armas está associado com aumento de crimes e/ou de violência.

Em janeiro, decreto do presidente Jair Bolsonaro facilitou a posse de armas no Brasil. O governo agora pretende viabilizar um plano para flexibilizar o porte de armamentos. Com a posse, é possível manter uma arma guardada em casa. O porte permite andar com ela na rua.

O tema já foi abordado por Aos Fatos anteriormente. Para ler mais, acesse aqui.