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Checamos a entrevista de Temer ao Roda Viva

Por Tai Nalon

16 de novembro de 2016, 15h38


Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente Michel Temer usou o Risco Brasil, calculado pelo banco de investimentos norte-americano JP Morgan, para ilustrar melhora nos índices econômicos do país desde que assumiu a Presidência, em maio passado. Criado em 1992, o indicador mede a capacidade dos países de pagar suas dívidas.

Na entrevista, que foi ao ar na segunda-feira (14), Temer afirmou que o Risco Brasil está em 318 pontos negativos, frente a 538 negativos já registrados neste ano. Aos Fatos foi às bases do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), checou essa informação e verificou que ela é IMPRECISA. O índice flutuou durante o ano próximo a esses números, mas, nos dias que antecederam a entrevista do presidente, variou acima dos 318 citados. Está, desde 1 de novembro de 2016, entre 323 e 328.

Veja, abaixo, o que checamos.


IMPRECISO

O nosso risco Brasil que… e nós perdemos o grau de investimento, porque nós chegamos a 538 pontos negativos. Hoje, podem mandar examinar, está em 318 pontos negativos.

O Risco Brasil costuma variar de acordo com o cenário político e as decisões tomadas pelo governo no campo econômico. Até setembro de 2015, conforme dados do Ipea, o indicador vinha se mantendo abaixo da casa dos 400 pontos negativos.

Naquele mesmo mês, uma série de notícias negativas para o governo Dilma Rousseff acelerou a alta do índice: em 17 de setembro de 2015, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), recebeu o pedido de impeachment que, neste ano, veio a destituir a presidente do cargo. Também foi em 14 de setembro que os ex-chefes da Fazenda e do Planejamento, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, propuseram novo pacote de corte de gastos, após negar que o deficit nas contas do governo estava sem controle.

Conforme a última atualização, em 4 de novembro de 2016, o Risco Brasil era de 328 pontos negativos — dez pontos a mais que o mencionado por Temer. Desde que assumiu definitivamente a Presidência, em 31 de agosto deste ano, o indicador flutuou entre 303 e 340 pontos negativos.

É verdadeiro também que o Brasil já chegou à casa dos 530 pontos negativos em 2016, mas a pontuação de 538 só foi registrada em outubro de 1996, segundo as bases do Ipea. O pico negativo do Risco Brasil em 2016 foi de 569 pontos negativos — 31 pontos a mais do que Temer mencionou.

Risco Brasil
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Selo. A declaração de Temer é IMPRECISA, já que ele não acertou exatamente os números do Risco Brasil neste ano. O presidente também não mencionou que a trajetória do índice do país, embora em tendência descendente ao longo do ano, mantém-se no mesmo nível de antes da abertura do processo de impeachment, quando o governo ainda não tinha apresentado soluções efetivas para os problemas do deficit orçamentário. O Palácio do Planalto ainda aguarda eventual aprovação no Senado de uma PEC (proposta de emenda constitucional) que limita os gastos públicos. O projeto é apresentado como solução para o rombo orçamentário.


Temer se repete. Durante a entrevista, o presidente repetiu outras três afirmações equivocadas já checadas por Aos Fatos nos últimos meses. Veja, abaixo, o que ele disse e clique na declaração para saber mais.


EXAGERADO

Eu dou o exemplo da Eletrobras que teve um aumento no valor de mercado nesses quatro, cinco meses, de 245%, a Petrobras de 145%.

EXAGERADO

Então, no tocante ao Fies, você sabe que nesse ano nós ampliamos em 75 mil novas bolsas de estudo.

FALSO
Tanto não o desprezamos que nós revalorizamos em 12,5% depois de dois anos e dois meses que não havia revalorização [do Bolsa Família].